Dica de livro: “Amizades Tóxicas”, de Mireille Bourret

Decepcionarmo-nos com amigos, num ou noutro momento da vida, todos já nos deparámos com essa situação. Nos tempos actuais, em que temos mais amigos virtuais do que reais, é mais fácil rompermos uma amizade através de um simples clique: ‘remover amizade’. Muitas vezes o dito amigo, só passados uns tempos é que se dá conta que nos seus contactos de Facebook já não encontra o nome do amigo lá. Na realidade, o verdadeiro significado de uma amizade não possui nada de virtual: implica presença física, disponibilidade, partilha, solidariedade e atenção recíprocas. Contudo, quando não nos sentimos bem numa relação de amizade, antes de a terminarmos, convém pôr a relação à prova, dedicar-lhe alguma reflexão, elencando-lhe os prós e contras; ao fim e ao cabo: identificar o nível de toxidade que da amizade emana.

A socióloga Mireille Bourret, explica em ‘Les Amitiés Toxiques’ (título original do livro) o por quê de algumas amizades se desfazerem com o tempo. Na primeira parte da obra, ‘Identificar as Amizades Tóxicas’, a autora canadiana dá-nos conta que “é geralmente a dinâmica, a relação que é tóxica, e não a natureza das pessoas que a vivem” e que, por norma, as problemáticas advindas de uma má relacção desenvolve-se no que não se diz, na insegurança e na falta de consideração para com o outro. A importância de estarmos atentos à linguagem não-verbal que um amigo revela (o tom de voz, os gestos, o olhar, etc.) diz-nos Bourret, é fundamental para evitarmos surpresas constrangedoras, a curto e médio prazo.

A partir da página 59 de ‘Amizades Tóxicas’, a especialista descreve seis tipos de “personalidades tóxicas” (como as que possuem os narcisistas, os negativistas e os histriónicos) com que convivemos e mostra-nos como podemos afastá-las e assumir o controlo da nossa vida.

Depois de fornecer ao leitor ferramentas e técnicas úteis para que ele consiga identificar esses tipos de personalidades, saber como reagir em determinados casos e decidir o futuro da relacção, a especialista em Sociologia, na última parte do livro, compila uma série de emoções negativistas que fazem com que os laços entre duas pessoas possa se dilacerar. São exemplos: a frustração, a irritação, a troça, a avareza e a inveja. No final da leitura da terceira parte, estaremos mais capazes de lidar com os amigos que nos atraiçoam, abandonam ou magoam, pois estaremos mais consciencializados de que todas as perdas do passado que ainda não resolvemos transformam-se num peso que não nos deixa levantar voo, numa emoção tóxica que não nos deixa avançar. Uma das mensagens do livro é a de que quanto mais protegidos das pessoas tóxicas estamos, mais felizes seremos.

‘Amizades Tóxicas’ é um livro de leitura simples (sem jargões) e esclarecedora, dirigido a todos os que buscam respostas para poderem manter uma amizade que esteja em vias de extinção, ou para ultrapassar de uma vez por todas o sofrimento que adveio de uma outra. Este é um livro de auto-ajuda que pode servir de guia para muitos leitores que acreditam que tudo o que nos acontece, até a dor de uma amizade dilacerada, pode ser transformado em aprendizagem.

Excertos

“Seja qual for o resultado da amizade que o levou à tristeza, faça de maneira a sair mais enriquecido, mais atento a si e aos outros.” (p. 154)

“Convença-se de que os diferendos são muitas vezes fundados no orgulho e na soberba, que nos fazem esquecer a humanidade do outro.” (p. 161)

A indicação de leitura é do nosso blog parceiro Silêncios Que Falam (Site; Facebook)

Miguel Pestana

Vive na Madeira, ilha portuguesa onde nasceu Cristiano Ronaldo, o melhor jogador de futebol do mundo. É cinéfilo e melómano, mas é no mundo dos livros que passa maior parte do tempo, e por isso diz ser um grande bibliófilo. Em Portugal, o seu blogue literário — http://silenciosquefalam.blogspot.pt —, existe há mais de 5 anos e é parceiro de mais de 40 editoras. Em ‘Silêncios que Falam’ ele já postou mais de 300 resenhas críticas, sobre livros de géneros literários vários.

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