Ao que parece, a razão e a emoção são diferentes, também, no quesito memória. Você já percebeu como a distância amplia as qualidades do(a) ex parceiro(a) quando a saudade começa a apertar? É como se tudo aquilo que incomodava fosse se distanciando da realidade, perdendo a força e, chegando a ficar praticamente irrelevante. No caso, as qualidades, mesmo que poucas, são ampliadas, como se fossem vistas com lentes de aumento, enquanto os defeitos são percebidos com olhos míopes.
Em contrapartida, a convivência tende a evidenciar os defeitos do outro, deixando as virtudes meio embaçadas. Aqui o contexto é o inverso: os defeitos são maximizados e as qualidades vistas com olhos míopes. Aquilo que o parceiro possui ou faz de positivo, passa a ser visto como obrigação, nem sempre despertando o devido reconhecimento.
Compreendo que há casos em que, de fato, a percepção ampliada acerca dos atributos positivos do ex parceiro é real. Ou seja, a pessoa era mesmo incrível, mas, suas virtudes não foram devidamente valorizadas ou mesmo percebidas. Dessa forma, pode acontecer uma reconciliação e o relacionamento ganhar um outro formato e prosperar. Há casos em que uma ruptura atua como uma ferramenta poderosa, possibilitando uma ressignificação da antiga relação numa outra muito gratificante.
Por outro lado, há, também, casos em que a pessoa enxerga o que nunca existiu, movida pela carência e pela saudade. Ela passa a romantizar as migalhas que recebia no ex relacionamento como se fossem verdadeiros banquetes. Ela começa a se esquecer que ela mais chorava do que sorria. Esquece que a traição era uma rotina, que não era valorizada, que só ela se esforçava pela relação, enfim, pode ser que se esqueça até das agressões físicas, eu conheço casos.
É preciso muito discernimento para não meter os pés pelas mãos vendo amor onde nunca existiu. É necessário se esforçar para buscar na memória cada motivo que fomentou o fim do relacionamento e mostrar ao coração que não é possível deferir o pedido dele. O coração tem preguiça de pensar, então, que a razão faça o papel dela, direito.
Antes de ser reconhecida pela voz rouca, pelo poncho vermelho e por interpretações capazes de…
Há fotografias antigas que sobrevivem como simples registros de uma época. Outras começam a ganhar…
Uma lata de desodorante é um objeto tão comum dentro de casa que dificilmente desperta…
Crescer diante das câmeras quando seus pais estão entre os atores mais conhecidos de Hollywood…
Nem toda pessoa se sente confortável falando por vídeo ou telefone. Para alguns pacientes, escrever…
Algumas experiências terminam no calendário, mas continuam acontecendo dentro da pessoa. Um acidente já passou,…