Esses dias saí para tomar café com uns amigos. Todos estavam em clima de descontração. Conversávamos sobre tudo. De paixão à culinária, os assuntos variavam.

No decorrer da conversa, um dos meus amigos fez um comentário que me deixou sem graça. Abstraí e fiquei quieta, como se nada tivesse acontecido. Só que tenho um problema, não seu disfarçar quando algo me incomoda.

Uma das minhas amigas perguntou “Lari, tá quieta, tá tudo bem?” Fiz cara de paisagem e respondi que estava sim.

No caminho para casa, esse meu amigo me ligou duas vezes, não atendi.

Quando cheguei em casa, ele me mandou uma mensagem perguntando se eu havia chegado bem. Fui dormir sem responder.

Você deve estar pensando que sou marrenta, mas posso explicar:

Quando fico brava ou triste com alguém, espero a raiva passar, para depois conversar com a pessoa. Na hora da raiva, podemos falar alguma bobagem. Então prefiro deixar a poeira baixar, para depois tentar resolver os problemas.

No dia seguinte, li uma parábola chamada “deixe a raiva secar”. O texto contava a história de duas garotinhas que eram amigas. Uma delas, emprestou seu brinquedo favorito a outra. Quando a dona do brinquedo foi pegá-lo de volta, o brinquedo estava quebrado. Triste, queria ir até á casa da amiga para brigar, mas no mesmo instante a mãe da garotinha brava, disse a ela:

― Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando jogou lama em sua roupa? E ao chegar em casa, você queria levar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou? Você lembra do que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro, depois ficaria mais fácil limpar.

Pois é, minha filha! Com a raiva é a mesma coisa. Deixa a raivar secar primeiro, depois fica bem mais fácil resolver tudo.

Após o episódio, expliquei ao meu amigo o porquê da minha atitude. Disse a ele que não retornei o contato e nem respondi a mensagem porque fiquei chateada com um comentário que ele fez. Ele entendeu meu lado, e disse que tudo não passou de um mal-entendido.
Logo em seguida, rimos da situação, fizemos as pazes e ficou tudo bem.

Antes de compartilharmos o motivo da nossa fúria, é necessário deixarmos a raiva secar, só assim teremos equilíbrio o suficiente para resolvermos as coisas.

Imagem de capa: nd3000/shutterstock

Larissa Dias

Estudante de jornalismo, radialista por amor, escritora nas horas vagas. Adora dar boas risadas, costuma passar os domingos de pijama assistindo filmes e séries. Apesar de não curtir baladas, é incapaz de recusar uma rodinha de violão, e para pra cantar junto. Mesmo desafinada, garante que é simplicidade em pessoa.

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Larissa Dias
Tags: Raiva

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