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De tanto tentar “fazer a diferença”, esquecemos o quanto somos iguais

A despeito das nossas diferenças. À revelia de seus protestos. Apesar das picuinhas que nos separam, das tolices que nos jogam um contra o outro, da ilusão de pertencermos a lados opostos, ainda assim nós somos iguais.

Embora você não admita, e por isso insista na ideia tola de medirmos força, insultando um ao outro como moscas ziziando de asas presas na teia de uma aranha faminta, dá no mesmo. Você e eu somos iguais.

Enquanto o fogo se alastra, o ralo entope, a bomba estoura. Ao tempo em que confabulam, conspiram, atentam, conjuram. Durante conchavos e arranjos, complôs e conluios, quando nas sombras se arranjam manobras, embrulhos, enganos e ardis, não tem jeito. Nós seguimos iguais.

Declarem-se as guerras, explodam as crises, espalhem discursos de ódio, espirrem ofensas, alastrem os gritos, estourem as vozes, quebrem-se as caras, lasquem os ossos, chamusquem as peles! Nós ainda seremos iguais.

Separem-nos em classes, castas, guetos, cores, credos. Advoguem em causa própria, desviem dinheiro, garantam-se terras, loteiem os cargos. Isolem as minorias, elejam os escolhidos, nomeiem-se os reis, subjuguem os súditos. Aqui, entre nós, a verdade é que somos eternamente iguais.

No riso insano de quem ganha mora a dor de quem perde. Na agonia de quem cai arde a fúria de quem sobe. A vida dos que matam também parte com os que morrem. E os que morrem seguem vivos, indeléveis, sob as unhas de seu algoz. Porque ainda que você duvide, conteste, rejeite, nós somos iguais.

Não adianta. Ao fim do jogo todas as peças retornam à caixa e os placares voltam ao zero. Mesmo que você não aprove, nós estamos juntos e somos iguais.

Os que perdem e os que ganham, os que ficam e os que vão, depois de tudo seremos nada. Todos passaremos porque tudo é passagem. No fim, tanta diferença só há de provar o quanto seguimos idênticos. E que nós somos, para sempre, de qualquer sorte, apesar de tudo, nós todos somos iguais.

André J. Gomes

Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.

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