Pamela Camocardi

Cuidado com a carência. Ela faz as pessoas confundirem saudade com amor, apego com paixão e posse com relacionamento

Imagem: Kitja Kitja/shutterstock

Ninguém nasceu para ficar sozinho. Fato! Necessitamos do convívio, da troca de ideias, do incentivo do outro para caminhar, afinal vivemos em comunidade.

O problema é que algumas pessoas perderam a autonomia dos próprios atos e não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos, com sua solidão e com seus vícios e partem atrás de um grande amor.

Carência emocional é o mal do século. Em nome dela pessoas incríveis renunciam a própria felicidade em prol de uma (má) companhia momentânea e permitem que relacionamentos doentios marquem suas histórias para o resto da vida.

Geralmente, as histórias acontecem tão rápidas quanto superficiais e pulam as fases que compõe um relacionamento (conhecer- sair- namorar- casar) para serem felizes. Luiz Fernando Veríssimo diz que “nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã”.

Não é raro que pessoas carentes confundam paixão e saudade com amor. Afinal, para eles o que importa é estarem acompanhadas e sentindo o coração bater, indiferente da denominação do sentimento. Caio Fernando Abreu descreve bem isso: “Não se deixe entusiasmar a ponto de não conseguir distinguir amor de atração, amor de carência, amor de insegurança, amor de fantasia.”

A frase “me apaixono fácil” é quase um grito de guerra para essas pessoas, já que servem de desculpa para as escolhas erradas que fazem na área sentimental. Pessoas carentes não sabem lidar com a solidão e cobram, dos outros, sentimentos que deveriam ser dados livremente. Funciona, mais ou menos, assim: elas acreditam que quanto mais amarem e mais se doarem, mais amadas serão. Simples assim!

Por favor, não seja esse tipo de pessoa. Pessoas carentes são cansativas e desgastam toda relação. Amor é atração, afinidade e reciprocidade dispostas em vias de mão dupla. Não sinta a necessidade de enviar mensagens todos os dias, de acordar de madrugada com saudade ou de convidar para um jantar a dois, se não quiser, de coração, fazer isso.

Essas coisas devem ser feitas por vontade e não por obrigação. Entenda que temos o direito de sentirmos saudades, mas não temos o direito de cobrar a presença. Temos o direito de amar, mas não podemos obrigar o outro a sentir o mesmo.

Aprenda a diferença entre carência e amor e você será muito mais feliz. Entenda que o fato de alguém não te amar pode até afetar seu ego, mas não afeta sua vida. “Se não o amam, não rogue nem se ajoelhe. O amor não se suplica nem se exige, acontece. E se não acontece, você se retira com dignidade e parte para outra.” (Walter Riso)

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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