Thamilly Rozendo

Cuidado com a carência: ela costuma ver amor onde não tem.

Às vezes, sentimos falta de ter alguém ao nosso lado, que acompanhe essa caminhada da vida com a gente. Alguém que seja apoio nos dias ruins e que nos encoraje quando precisamos de coragem.

Por mais que nos declaremos suficientes e que tenhamos certa independência, no final do dia, no fim da noite, ou ao ver a foto de um casal estampada nas redes sociais, sentimos aquele desejo de ter alguém não para completar, mas para transbordar.

Eu entendo que, depois de tanto acreditar, a gente cansa de se recompor e de achar que agora irá dar certo. Cansa de fazer morrer os sentimentos que brotaram e de tocar a vida depois de uma decepção.

Mas a carência, aquela ânsia de ser amado(a) e de dividir a vida com alguém, pode nos levar a ver amor onde não existe. Ela pode confundir um simples oi com interesse. Uma ignorada com joguinhos, como se o outro de fato estivesse interessado, quando, na verdade, é só desinteresse mesmo.

Sempre que alguém diz que não quer namorar, de fato, ele(a) não está fazendo jogos para testar a sua paciência ou provar o quanto você gosta. Quando aceitamos a realidade, não nos deixamos guiar por hipóteses que não nos levam a nada, a não ser a frustrações.

Cuidado, porque alguém pode estar só interessado na sua aparência e não veja a sua alma bonita, não reconheça o quanto você é forte e não irá segurar sua mão nas tempestades. Não se iluda com a ideia de que alguém pode, de fato, “mudar de ideia” em relação a se comprometer e que, talvez, conhecendo-o melhor, convença-se de que assumir um compromisso é a melhor opção.

Não se envolva com quem oferece metades, com quem não se compromete em nada e que vive dando desculpas. Não tente achar o amor nas entrelinhas que só você consegue enxergar. Não veja amor no “oi sumida”, não veja como um tempo para conquistar as falas que esbanjam “esse não é o meu tempo, mas você é incrível”; não se prenda a isso, não, porque é cilada.

Quem quer dá um jeito, quem não quer dá desculpa. Cuidado, porque a carência transforma amizade em amor. A atenção – mesmo que mínima – em cuidado. Ela vê graça em falas que não refletem nenhum sentimento. A carência faz você acreditar que merece muito pouco, quando de fato você merece muito.

Imagem:Kseniia Perminova/shutterstock

Thamilly Rozendo

Estudante de psicologia, apaixonada por artes, música e poesia. Não dispensa um sorvete e adora um pastel de feira com muito requeijão, mesmo sendo intolerante a lactose. Tem pavor de borboletas, principalmente as no estômago.

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