Da noite para o dia tudo muda. Você conhece alguém com uma perspectiva diferente da sua e que te deixa com a pulga atrás da orelha, seu trabalho te informa que você não faz mais parte do quadro, alguém que você ama vai embora e nem deu tempo de se despedir, você pega um avião na sua cidade e desce em outra cultura poucas horas depois.

Um dia basta para que tudo mude e você comece a caminhar em uma nova estrada. Tem começo que é infinito, que é o caso do amor. Tem começo que machuca e sangra, que é aquele que você não quer mas tem que fazer depois de uma despedida. Tem começo que gera ansiedade e um roer de unhas incontrolável, como a mudança de país, a viagem de férias ou o novo trabalho cheio de promessas. Bom ou ruim, os começos são aqueles primeiros momentos em que você ainda não sabe bem o que sentir e não se reconhece em seus próprios pensamentos e emoções.

Mas tem algo por traz do começar que nem todo mundo fala a respeito. Chama-se medo. Começos dão um medo do caralho e eles são consequência da sua briga consigo mesmo pensando nos prós e contras se deve ou não. A essência do medo é que começar o novo exige que você saia da zona de conforto, e ir em direção ao desconhecido não é para qualquer um não. Tem gente que passa a vida no mesmo emprego, no mesmo casamento ruim, reclamando das mesmas coisas. Você conhece um monte de gente assim, não conhece? O que essas pessoas têm em comum você também já sabe: elas têm medo de mudar e medo de serem julgadas. Vivem insatisfeitas, mas não tem coragem de mudar tudo e arcar com as consequências. Mudar dá trabalho. Mudar dá um medo do caralho (sempre bom repetir). Mudar insiste na impermanência do controle que as pessoas pensam que tem sobre a própria vida. Vida: uma passagem breve de onde só levaremos conexões reais, sentimentos reais e vivências reais. Todo o resto fica.

E como driblar o medo e começar? Simples: diga sim. Diga sim para o novo. Diga sim para a vida. Diga sim para os desafios. Diga sim para o diferente de você. Diga sim para o amor. Diga sim para a ligação no meio da tarde. Diga sim para o sorriso da copeira trazendo seu primeiro cafezinho na nova empresa.

Diga sim para si mesmo e para sua melhor versão que levanta todo dia da cama cheia de sonhos, ideais, valores e ambições. Diga sim para os seus medos, abrace eles, jogue-os uma coberta nas costas e se tornem amigos. Medos assustam, mas não passa disso. Eles não mordem não, só ladram e fazem barulho na sua mente. Diga sim para quem quiser ficar e você achar que quer deixar entrar. Diga sim para as incertezas. Diga sim para os amigos que precisam de ti. Diga sim para aprender algo novo. Diga sim para o auto amor.

Diga sim para alcançar a vida que você nasceu para viver e não se conforme com padrões sociais. Aliás, olha para dentro de si e se pergunta: você nasceu para ter a vida que tem ou nasceu para viver a vida que sempre sonhou? Entre a primeira e a segunda opção, tem uma caminhada que é compulsória e que agora você conhece bem: começo, medo e sim.

Encare sua jornada. Você vai até onde sua coragem te permitir.

Te encontro na estrada, tenho andado por lá faz um tempo e a estrada da coragem é um caminho só de ida. Você me alcança?

Ana Carolina Faria Bortolo

Turismóloga e Administradora de Novos Negócios por formação. Escritora, pintora e dançarina por vocação. Planejadora de eventos, bartender, agente de viagens e vendedora por profissão. Garçonete de navio por opção. Vi o mundo e voltei, e de todos os rótulos que carrego na bagagem, só um me define bem: sou uma ótima contadora de histórias.

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Ana Carolina Faria Bortolo
Tags: medo

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