Guilherme Moreira Jr.

Tô com você, Saramago: “Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo.”

É difícil não concordar com o escritor português, José Saramago, um dos maiores do seu tempo. O mundo anda capenga, cheio de ódio e dizeres inversos. Queremos o melhor, mas para quem?

Dia desses, revivi a experiência de “Ensaio sobre a Cegueira”, livro no qual Saramago fora agraciado com o Nobel de Literatura. Não pude deixar de ter, novamente, uma espécie de tristeza, de preocupação. Isso porque ainda parecemos caminhar a passos lentos para novas percepções e sentimentos. Sem entrar em assuntos políticos e históricos, mas por que não mudamos? Por que persistimos nessa cegueira social e emocional? A pluralidade do ser humano deveria ser motivo de orgulho e esperança, e não de repulsa e desunião.

O mundo está péssimo para o amor. Falamos muito sobre ele, mas pouco o entendemos. O amor é manipulado quando deveria ser liberto. Perdemos um tempo precioso analisando se é amor de verdade quando alguém vai embora. Classificamos o amor do jeito que melhor nos agrada e isso não configura algo real.

O mundo está péssimo para a empatia. Reclamamos muito dela, mas só a praticamos em momentos cômodos. A empatia é dosada quando deveria ser espontânea. Debatemos durante dias se é gentileza ou interesse por algo ou alguém. Separamos gestos como quem conta trocados para pagar um transporte.

O mundo está péssimo para o sincero. Pedimos muita sinceridade, mas ela é constantemente ignorada. Se não for o que nos cabe, o que nos chama a atenção, mentimos e maltratamos. É completamente diferente de dizer a verdade, porque tornar-se uma pessoa sincera demanda respeito, compaixão. Estamos economizando proximidades, vejam.

Então, como lutar contra esse pessimismo do mundo? Sendo completo. Ou, pelo menos, almejando uma certa plenitude. O problema é não é um processo imediato. Requer a desconstrução de valores reproduzidos ao longo da vida. É necessária a aceitação de quem você é e daquilo que pode vir a ser. Temos tantas ferramentas disponíveis para uma nova onda de atitudes. São músicas, filmes, livros e outras experiências que podem desencadear o melhor de nós.

Queria figurar na galeria dos pessimistas, mas não consigo. Abro mão de sabotar qualquer possibilidade de desamor e compreensão por um mundo mais otimista, sincero, empático e amoroso. E isso é só para começo de conversa.

Gui Moreira Jr

"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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