Uma pesquisa feita no Chile colocou os probióticos no centro de uma discussão importante sobre prevenção do câncer gástrico. O trabalho mira um inimigo conhecido da medicina: a bactéria Helicobacter pylori, associada a inflamações no estômago e a um risco maior de desenvolvimento da doença.
A inovação foi liderada pela Dra. Apolinaria García Cancino, bioquímica, doutora em ciências biológicas e professora da Universidade de Concepción. Há mais de 17 anos, ela estuda a ligação entre a H. pylori e o câncer gástrico, um tema especialmente sensível em países da América Latina, onde a doença ainda registra índices preocupantes de diagnóstico e mortalidade.
O resultado desse longo trabalho foi o desenvolvimento de um probiótico criado especificamente para ajudar a reduzir a presença da bactéria no organismo. A proposta é agir antes que o problema avance, oferecendo uma alternativa preventiva e menos agressiva do que estratégias baseadas somente no uso frequente de antibióticos.
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O produto utiliza a cepa Lactobacillus fermentum UCO-979C, um microrganismo considerado benéfico e capaz de aderir à mucosa gástrica. Ao ocupar esse espaço, ele dificulta a fixação da Helicobacter pylori e ajuda a limitar sua multiplicação no estômago.
Outro ponto importante é que o probiótico também estimula respostas naturais de defesa do corpo. Segundo a pesquisa, ele contribui para a produção de substâncias com ação antimicrobiana, criando um ambiente menos favorável para a bactéria ligada ao aumento do risco de câncer gástrico.
Na prática, a ideia é que o produto possa ser consumido como suplemento, facilitando o uso em ações de prevenção. Ele não foi desenvolvido para tratar tumores já diagnosticados, mas para atuar sobre um dos principais fatores que favorecem o aparecimento da doença.
Os testes clínicos trouxeram resultados animadores. Entre os voluntários que consumiram o probiótico, a taxa de infecção por Helicobacter pylori foi bem menor do que no grupo que recebeu placebo. Os dados indicaram um nível de proteção superior a 90%, o que ajudou a ampliar o interesse internacional pela descoberta.
A pesquisadora também destaca uma diferença que costuma gerar confusão: probióticos e prebióticos não são a mesma coisa. Probióticos são microrganismos vivos que podem trazer benefícios diretos à saúde quando consumidos em quantidades adequadas. Já os prebióticos funcionam como alimento para bactérias benéficas já presentes no organismo.
O trabalho rendeu à Dra. Apolinaria García reconhecimento na área de inovação científica. Atualmente, o probiótico já é comercializado no Chile, e há planos para levar o produto a outros mercados, incluindo Europa, Estados Unidos e países da Ásia.
Fonte: MDPI
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