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Ciência em alerta: estudo sobre câncer acaba revelando um órgão totalmente novo no corpo humano

A descoberta saiu do lugar-comum: enquanto analisavam exames de pacientes com câncer de próstata, pesquisadores do Instituto do Câncer dos Países Baixos notaram um brilho repetido num ponto que não costumava chamar atenção nas imagens.

Era setembro de 2020. Em vez de um artefato, o sinal vinha de estruturas reais, escondidas atrás do nariz, na junção com a garganta.

A checagem posterior confirmou: tratava-se de um quarto par de glândulas salivares, batizadas de glândulas tubárias por causa da localização próxima às trompas auditivas.

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Elas parecem ter um papel simples e crucial: manter úmida e protegida a região posterior da cavidade nasal e da orofaringe, o que ajuda a engolir melhor e preserva as mucosas.

Essas glândulas passaram despercebidas por muito tempo por dois motivos: ficam numa área profunda, difícil de ver em exames de rotina, e a formação médica sempre repetiu que os humanos têm três pares principais de glândulas salivares — parótidas, submandibulares e sublinguais — com o restante sendo microscópico e espalhado. As tubárias, por estarem fora desse roteiro, não eram procuradas.

A descoberta tem efeito prático. Pacientes que fazem radioterapia de cabeça e pescoço costumam relatar boca seca e dificuldade para engolir. Se as glândulas tubárias participam ativamente da lubrificação local, doses mal direcionadas podem piorar esses sintomas.

Agora que o mapa anatômico ficou mais claro, dá para ajustar planejamento de radioterapia e poupar a área, reduzindo desconfortos sem complicar o tratamento.

Os próximos passos vão no básico que resolve: definir tamanho e variações dessas glândulas, entender exatamente seus limites nos exames e medir o quanto protegê-las melhora a qualidade de vida de quem enfrenta o câncer.

É um bom lembrete de que olhar com atenção para dados que “não batiam” ainda rende achados úteis em plena era de imagem avançada.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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