Guilherme Moreira Jr.

Carta aberta para o meu eu do ano que vem

Se você pensa que a partir do dia primeiro de janeiro do ano que vem tudo vai ser diferente porque você quer, volte duas casas e repense os seus sentimentos. Não é assim que funciona.

O calendário muda todos os anos, mas o controle da vida independe da nossa vontade e a gente precisa ter maturidade e humildade para reconhecer algo assim. O que pode e deve mudar de um ano para o outro são as nossas escolhas, as nossas atitudes e sim, os nossos sentimentos.

Eu por exemplo, não quero repetir no ano que vem os descasos emocionais que cometi este ano. Não vou mais abaixar a cabeça para quem desconsidera as minhas intenções e a minha voz. Também é impensável que eu deixe de falar de coração as coisas que me machucam e que me despertaram alegria só porque os outros podem não gostar. Não vou mais puxar o freio do meu coração dessa forma, ele não merece.

É claro que é impossível prever o que vai acontecer ano que vem, mas de uma coisa eu sei: serei melhor. Entro no próximo ano querendo desafiar tabus, porque com eles não acho que sentimento algum alcança a sua plenitude. Entro no próximo ano querendo saber mais do meu presente antes de qualquer futuro. É encarar o dia desde o seu amanhecer como se fosse o maior presente possível. Não achar que não vou me estressar e que tudo será colorido e feliz, mas não vou abrir olhos ao acordar desperdiçando a oportunidade de sorrir, nem que seja só pra mim de frente para o espelho. Quero assumir mais compromissos comigo, com quero ser daqui por diante e em como posso tornar os meus relacionamentos mais próximos e sólidos.

Chega de deixar ausências aleatórias estragarem o meu amor, o meu lugar de paz. Escrevo essa carta aberta para o meu eu do ano que vem para registrar que mais coisas podem ser acrescentadas caso eu decida ser mais gentileza do que frieza comigo. E eu mereço gentilezas. Mereço cada afeto mergulhado no mais oceânico abraço, beijo ou conversa.

Então, para o meu eu de 2020, presta atenção: se joga! Viva sabendo que eu e você somos a mesma pessoa, mas não temos a obrigação de mantermos os mesmos hábitos e defeitos. Podemos mais. Logo, voe. Brilhe internamente e acredite na sua intuição, na sua bússola particular.

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Photo by Djordje Petrovic from Pexels

Gui Moreira Jr

"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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