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Astronauta passa 178 dias no espaço, olha a Terra e faz um alerta que desmonta tudo o que a gente acredita

Tem uma coisa curiosa sobre grandes números: eles impressionam, mas não explicam o que acontece por dentro.

Ronald J. Garan Jr., ex-astronauta da NASA, voltou para casa com estatísticas que qualquer pessoa repetiria com orgulho — 178 dias em órbita e mais de 2.800 voltas ao redor da Terra.

Só que, quando ele fala sobre o período no espaço, o recado principal não é sobre máquinas, protocolos ou desempenho. É sobre como uma visão muda o jeito de enxergar o que a gente chama de “prioridade”.

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Garan conta que a transformação mais forte veio do lugar mais simples da Estação Espacial Internacional: a janela. Lá de cima, o planeta aparece inteiro, contínuo, sem as linhas que a gente usa aqui embaixo para dizer “isso é meu” e “aquilo é seu”.

Na prática, a imagem desmonta a sensação de que o mundo funciona em blocos separados. O que existe é um sistema só, conectado, e a sobrevivência depende do funcionamento desse conjunto.

O contraste que ele descreve é bem direto: enquanto a Terra “mostra” o que sustenta a vida, o debate humano costuma girar em torno do que mede desempenho econômico.

E aí entra o que ele chama de mentira perigosa: a ideia de que dá para tratar ambiente, saúde coletiva e estabilidade social como itens secundários, desde que os indicadores financeiros pareçam bons. Para ele, isso cria um tipo de cegueira confortável — como se planilhas fossem mais concretas do que o ar, a água e o equilíbrio do clima.

Os números da carreira dele aparecem para dar escala ao que está em jogo. Ao longo das missões, ele soma cerca de 71 milhões de quilômetros percorridos em órbita, fez quatro caminhadas espaciais e participou de pesquisas e tarefas logísticas na ISS.

Também é coronel aposentado da Força Aérea dos Estados Unidos e já voou tanto em programas ligados ao ônibus espacial quanto na cápsula russa Soyuz.

Mesmo com esse currículo técnico, o ponto que ele insiste em destacar é outro: a experiência que muda tudo não vem do treinamento, vem do choque de ver a fragilidade do planeta de um jeito visual.

Nas cenas que ele relata, não faltam detalhes marcantes: tempestades elétricas estourando em flashes, auroras formando faixas luminosas e a sensação de que certos fenômenos parecem “perto” demais para algo visto a centenas de quilômetros de altitude.

Só que o que fica martelando, segundo ele, é perceber o limite real que mantém a vida possível: uma película atmosférica extremamente fina quando comparada ao tamanho do planeta.

Não é uma metáfora bonita — é um lembrete físico de que o que nos protege e nos mantém vivos ocupa um espaço pequeno e delicado.

Essa mudança de percepção tem nome entre astronautas e pesquisadores: overview effect. É o termo usado para descrever a virada mental e emocional que muita gente relata ao observar a Terra como um todo.

Sem fronteiras visíveis, sem marcas políticas, sem divisões “naturais” que sustentem narrativas de separação, fica mais difícil defender, com a mesma convicção, disputas que parecem enormes no cotidiano.

O planeta não se organiza segundo discursos; ele funciona segundo regras ambientais, e elas não negociam.

Daí surge a crítica que ele usa como base: do espaço, você enxerga a biosfera em atividade — mas não enxerga a economia. Não existe “PIB” flutuando na atmosfera, nem “mercado” desenhado em cima dos continentes.

Existe vida dependendo de um conjunto de condições muito específicas. Para Garan, quando sociedades colocam esses sistemas vitais como subordinados a metas econômicas, o risco sai do campo da opinião e entra no campo do básico: mexer nas condições que permitem respirar, plantar, beber água e manter comunidades funcionando.

Quando ele fala em “mudança de ordem”, não está vendendo uma lista de políticas prontas ou um plano fechado. A defesa dele é mais simples (e mais incômoda): inverter o eixo das decisões.

Primeiro, garantir o que mantém a vida e a estabilidade social; depois, organizar o resto. Economia, nessa leitura, vira ferramenta — útil, necessária, mas incapaz de substituir aquilo que, se falhar, torna qualquer crescimento irrelevante.

Ele também reforça que essa virada não é exclusiva dele. Muitos astronautas descrevem alterações profundas na forma de pensar depois de ver a Terra de fora: uma consciência mais nítida de interdependência, menos paciência com prioridades artificiais e mais urgência em encarar o que realmente sustenta a sobrevivência.

No caso de Garan, o alerta é duro justamente por ser simples: a conta que importa não fecha em moeda — fecha em condições reais de vida.

Leia também: Nova foto causa preocupação pela saúde de astronautas ‘presos’ no espaço

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Gabriel Pietro

Redator com mais de uma década de experiência.

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