Marcel Camargo

Às vezes, faz bem nos afastarmos de certas pessoas, por semanas, meses, ou por uma vida inteira

Sem perceber, acabamos mantendo junto de nós muita tralha, muita coisa inútil. A gente se apega a objetos sem serventia e a roupas que nunca mais sairão do cabide. Buscamos uma segurança ilusória do que é palpável, a fim de lidarmos com a imprevisibilidade da vida. Nessa toada, acabamos também ficando perto de quem deveria estar bem longe.

Quando se trata de objetos, faz-se necessário se desvencilhar de tudo o que não seja mais do que entulho. No tocante a relacionamentos em geral, é necessário, da mesma forma, descarregar-se de quem nada mais é do que acúmulo de peso emocional negativo, de quem esgota nossas energias e não retorna nada de bom. Quando damos o melhor e recebemos o pior, é hora de repensar o tipo de trocas que queremos para nossas vidas.

Na verdade, todo tipo de relacionamento se desgasta, porque a convivência nos coloca lado a lado com o que é bom e com o que não é. Trata-se de pessoas que carregam um mundo dentro de si, cujas verdades nem sempre se coadunam com as verdades do outro. Mesmo que haja afeto envolvido, as pessoas precisam de espaço, de um tempo para si e, às vezes, o outro, ainda que com boas intenções, acaba por ultrapassar espaços alheios que não deveria.

A distância é benéfica em muitos casos, como, por exemplo, pode ser comprovado no momento em que os pais buscam o filhinho na escola. É um momento alegre, porque pessoas que se amam ficaram separadas por um tempo. No entanto, cada caso requer um distanciamento maior ou menor, porque nem sempre algumas horas serão suficientes para provocar a vontade de rever ou não o outro.

Às vezes, para que não sufoquemos, teremos que nos afastar de alguém por meses, por anos, ou até mesmo pelo resto da vida. Porque certas pessoas não conseguem ser felizes, tampouco fazer ninguém feliz, muito pelo contrário. Após tentarmos e aconselharmos, notaremos que alguns indivíduos não mudam, jamais mudarão, pois não conseguem enfrentar a si próprios. Nesses casos, ou nos afastamos de vez, ou teremos sempre alguma pendência emperrando nossa busca pela felicidade.

***

Redação CONTI outra. Com informações de Prof Marcel Camargo

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Na estreia como diretor, Paul Mazursky travou no set de Bob, Carol, Ted e Alice por um motivo curioso

Em 1969, uma comédia sobre dois casais dispostos a questionar as regras do casamento chegou…

3 horas ago

Ela começou tocando violino no AGT, e Simon Cowell já estava com a mão no botão vermelho

Simon Cowell estava prestes a apertar o botão vermelho quando uma mudança na apresentação de…

4 horas ago

Há algo estranho na apresentação de Elvis em Viva Las Vegas, e não é a música que ele canta

Lançado em 1964, Viva Las Vegas reuniu Elvis Presley e Ann-Margret em uma comédia musical…

4 horas ago

Fotos antigas de grandes estrelas revelam detalhes curiosos de uma Hollywood que ficou para trás

Fotografias antigas de artistas famosos costumam revelar detalhes que dificilmente aparecem nas telas. Um sorriso…

4 horas ago

Pouco antes de morrer de câncer, ele ainda mantinha um hábito que já preocupava amigos havia anos

Patrick Swayze ficou marcado no cinema pela condição física exibida em filmes como Dirty Dancing,…

1 semana ago

DESAFIO: Você pode olhar várias vezes para esta imagem e ainda deixar alguns dos 7 gatos passarem

A ilustração parece mostrar apenas um jardim cheio de detalhes: uma árvore carregada de folhas,…

1 semana ago