Marcel Camargo

Às vezes, dar uma segunda chance só serve para mostrar que certas pessoas não mudam nunca

Vale a pena acreditarmos nas pessoas, até que nos provem o contrário, afinal, caso elas vacilem, terão que lidar com o que fizeram, e bem longe de nós. Os erros que não são nossos poderão até nos ferir, mas jamais ficarão na gente e sim em quem os provocou.

Logicamente, não podemos desacreditar de todos, achando que nunca as pessoas serão capazes de mudar, de melhorar, pois são o que são e ponto. Se assim o fossem, estaríamos fadados ao descrédito frente à capacidade do amor, do ensino, das experiências, de tudo o que vem para trazer conhecimento e lições de vida. As pessoas mudam, sim, para melhor, para pior, ou para lugar nenhum.

A todo momento, a vida nos coloca de frente com as consequências de nossas escolhas, para que possamos ter a chance de refletir e de mudar. É assim que a gente amadurece e para de errar tanto, evitando repetir atitudes que nos atrasam e nos afastam das pessoas e do caminho da serenidade. Porém, há quem não aprenda, quem não assume sua responsabilidade sobre nada, seja na vida, na família, no trabalho, seja na escola.

Para que consigamos seguir acreditando, sempre em frente, é preciso manter acesa a esperança e a fé nas pessoas, nos acontecimentos, na vida. Acreditar na mudança positiva de todos e de tudo o que nos cerca é imprescindível ao nosso equilíbrio, ao nosso respirar com folga. Ninguém sobrevive sem acreditar em alguma coisa que sustente seu caminhar. Não tem como.

O problema maior reside, sobretudo, em fugirmos ao enfrentamento de nós próprios, daquilo que nos acontece exatamente de acordo com a forma como agimos com as pessoas, com a forma como usamos o que se encontra disponível em nossas vidas. A colheita pode ser amarga, mas nunca será em vão, a não ser que nos neguemos a analisar as causas das dores que muitas vezes devastam a nossa jornada.

Caso não sejamos capazes de enxergar o que em nós e o que fora de nós vêm contribuindo ao nosso esgotamento emocional, não mudaremos, ainda que doa, mesmo que fiquemos paralisados, não importando quantas chances nos sejam concedidas, para que possamos melhorar. Infelizmente, existem pessoas assim, que, tombo após tombo, permanecem iguais, insistindo nos erros, pois atribuem a culpa de tudo aos outros.

Sempre ficaremos em dúvida quanto à validade de proporcionarmos uma segunda chance a alguém, em todos os setores de nossas vidas, pois o que machuca deixa marcas difíceis de se apagarem. Certo é que vale a pena acreditarmos nas pessoas, até que nos provem o contrário, afinal, caso elas vacilem, terão que lidar com o que fizeram, e bem longe de nós.

Os erros que não são nossos poderão até nos ferir, mas jamais ficarão na gente e sim em quem os provocou. E isso fará toda a diferença em nosso caminhar tranquilo, com amor e fé, com consciência tranquila e vontade de acertar.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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