Por Marcio Santiago Vaitsman
Vez ou outra há uma tendência, quando vai se falar de política, de a pessoa dizer: “Ah, eu não quero falar sobre isso, isso não é da minha conta”. Cuidado. A política é da sua conta e é da minha.
Partido é uma coisa que a pessoa decide se tem ou não. Política é da nossa conta o tempo todo, colocar-se como neutro é um ato político, porque, como a política é a tentativa de acerto de interesses que nem sempre coincidem, colocar-se neutro é ficar sempre do lado de quem é mais poderoso.
Se alguém vê um menino de 15 anos disputando uma bala com um menino de 05 anos e diz: “Não vou me meter”, bem, já se meteu. Porque ficar omisso é ficar do lado de quem vai ganhar. É claro que o menino de 15 anos tem mais força do que o menino de 5.
Por isso, o papel do cidadão não é dizer: “Isso não é da minha conta”. Ao contrário, é da tua conta, do ponto de vista do tributo, imposto, e é da tua conta como exercício de uma vida consciente.
Cada vez que eu me omito, cada vez que eu silencio, cada vez que eu suponho que problemas de governo são apenas do governo, eu não estou transferindo poder, eu estou abrindo mão dele.
E isso é algo que, entende-se, numa democracia não deva acontecer. É preciso que, cada vez mais, tenhamos clareza que nessa relação Estado-sociedade ambos tenham obrigações e ambos tenham direitos.
Não é casual que tenhamos um lema que diz: “Educação, saúde, transporte, habitação: direito do cidadão, dever do Estado”.
Mas cuidar para que o Estado cuide é um dever nosso. A tarefa do estado é cuidar. A nossa tarefa é cuidar para que o Estado cuide.
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