ANOITECER
A Dolores
É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos;
há somente buzinas,
sirenes roucas, apitos
aflitos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.
É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há pássaros;
só multidões compactas
escorrendo exaustas
como espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.
É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz — morte — mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.
Hora de delicadeza,
agasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.
Carlos Drummond de Andrade
In: A Rosa do Povo, 1945
Imagem de capa: Van Gogh
Quando Erin Brockovich chegou aos cinemas, em 2000, boa parte do público conheceu a ativista…
Aira Marie Brown ainda era uma criança pequena quando suas fotografias começaram a circular pela…
Em maio de 2006, Jennifer Aniston estava em plena divulgação de The Break-Up, comédia romântica…
Stephen Colbert se tornou um dos rostos mais conhecidos da televisão americana graças ao humor…
À primeira vista, a fotografia parece bastante comum: seis jovens estão sentadas lado a lado…
Nascida em 1953 no condado de Devon, na Inglaterra, Rosemary Letts parecia uma criança comum…