Pamela Camocardi

Acredite, esquecer é tão bom quanto se apaixonar

Imagem de capa: HTeam, Shutterstock

Para alguns se apaixonar é sinônimo de entrega absoluta. As borboletas no estômago giram no padrão ciclone e tudo se torna possível. O amor começa a ser idealizado, os medos acabam e os planos para o futuro são feito até o século que vem.

Porém, como as pessoas conquistam, mas esquecem de manter, em algum momento a paixão acaba e resta, para ambas as partes, a saudade do que poderia ter virado amor.

Ao contrário do que você pensa, a maioria das relações não acaba devido a traições ou às diferenças surreais do cotidiano. Acaba na rotina, nas ofensas diárias, nas pequenas mentiras… acaba quando não se tem mais vontade de continuar.

Nesse estágio, todos sofrem. Indiferente do nível de envolvimento. O sofrimento dura dias, semanas, meses. Fica aquela sensação de culpa e de insuficiência diante das tentativas. O vazio toma conta dos dias e as horas teimam em não passar.

Até que um dia a razão prevalece e o sentimento da lugar à sensatez. E começamos a entender que o amor não é feito de metades, não é construído nas diferenças e que borboletas no estômago não garantem casamento.

Entendemos que amor não vem pronto em caixinhas e que só podemos construí-lo na convivência. Muito (mas muito mesmo) diferente da paixão. E entendemos que, em suas particularidades e, apesar dos pesares, são bons. Aprendemos, crescemos e nos sentimos vivos ao senti-los.

Apesar disso, as lembranças ainda estão presentes na memória e ainda ferem mais que faca. Os planos, as expectativas, os nomes dos filhos são lembrados com mais frequência que seu sobrenome. E você começa a pensar que nunca mais irá amar ninguém.

Mas, um dia, tudo passa. A saudade não machuca mais, as lembranças não são as primeiras coisas que a mente lembra e a vontade em estar junto não é tão grande assim. E começamos a entender que, tão importante quanto apaixonar-se, é esquecer.

Esquecer é mais que um sentimento. É uma carta de alforria da própria mente. Apaixonar-se é bom, mas esquecer…..ahhh esquecer é sensacional! O sentimento de liberdade é incrível! E é nos dado da noite para o dia. Você dorme sofrendo e acorda livre! Os olhos são abertos para a vida e você começa a perceber que ninguém vale a sua paz.

Começa a concordar com Machado de Assis quando ele afirmava que: “Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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