E começa mesmo. Precisa vontade, coragem, autoamor e acima de tudo: resiliência.
É cruel deixar estar a vida. Lidar com ela apenas quando é de interesse dos nossos sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Sinceramente, não dá pra viver desse jeito. Eu não consigo. Eu luto diariamente para não ser assim.
Passar dia após dia amargurado, assustado e paralisado pelo passado é uma das coisas mais injustas que já atravessei na vida. Mas fazer o quê? Passar a chave no coração e achar que estarei protegido de tudo e todos a partir disso? Loucura minha. Já ouvi tanto por aí que a vida é um fôlego, um respiro e uma fragilidade incontrolável, e é verdade. Há muito pouco a ser feito sobre isso. Só sei que o meu coração não pode pagar o preço dos tombos, decepções e sofrimentos vividos por mim. Resiliência é nadar contra essa estúpida tempestade de pessoas sem caráter e de situações absurdas e continuar nadando.
O meu coração não deixou de temer pelo pior e nem de achar que tudo será melhor daqui pro futuro por causa do ponto de vista que tenho atualmente. Mas é diferente quando você deixa de cruzar os braços e ficar o tempo inteiro tenso, esperando sempre tragédias no lugar de possíveis e merecidos acolhimentos.
Autoamor começa dentro pra fora. Talvez o meu coração não esteja escancarado como antes, mas trancado ele não está. Enferrujado muito menos. Esse dissabor eu não quero. A minha vida acabou de começar. Ou recomeçar. Depende de quem vê.
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