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A Terra está mudando o próprio ritmo — e isso pode transformar o dia em 25 horas (entenda o que está por trás)

Parece exagero de manchete, mas a ideia tem fundamento científico e mexe com uma das certezas mais básicas da vida: a duração de um dia.

A Terra está mudando o próprio ritmo e, segundo projeções da comunidade astrofísica, poderá levar 25 horas para completar uma volta em torno de si mesma.

A previsão aponta para um futuro muito distante, mas o dado por si só já basta para deixar muita gente intrigada: o relógio natural do planeta não é tão fixo quanto parece.

O ponto mais curioso dessa história é que essa mudança já está em curso há bilhões de anos. O planeta vem girando cada vez mais devagar, num processo lento, contínuo e silencioso.

Hoje, ninguém sente isso na prática, claro. Só que, quando os cientistas observam a Terra em escalas gigantescas de tempo, o cenário fica bem mais impressionante: o que hoje chamamos de “um dia normal” já foi bem diferente no passado — e ainda vai mudar de novo.

A principal responsável por esse freio gradual é a Lua. A gravidade do satélite puxa os oceanos, provoca as marés e, nesse movimento, cria um atrito que interfere diretamente na rotação da Terra.

É um efeito discreto, mas persistente. Enquanto a Terra perde um pouco de velocidade ao longo das eras, a Lua também vai se afastando aos poucos do planeta.

É aí que entra a parte que mais chama atenção. Se essa desaceleração continuar dentro do padrão observado pela ciência, os dias terrestres poderão alcançar 25 horas daqui a cerca de 200 milhões de anos.

Pode parecer uma distância impossível de imaginar, e de fato é. Mesmo assim, a projeção impressiona porque mostra que até algo aparentemente intocável — como o tempo de um dia — está sujeito às regras da física.

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. A estimativa média é de que a duração dos dias aumente cerca de 1,7 milissegundo por século.

Leia também: Por que as pessoas eram tão magras nos anos 70: o hábito simples que todos tinham antes da indústria mudar tudo para lucrar

É uma diferença minúscula, quase ridícula para a rotina humana, mas enorme quando acumulada ao longo de milhões de anos.

Em outras palavras, não é uma mudança dramática de uma hora para outra. É uma alteração paciente, que avança milímetro por milímetro no relógio do planeta.

E não faltam sinais de que isso faz sentido. Há cerca de 600 milhões de anos, um dia na Terra durava por volta de 21 horas.

No começo da história do planeta, a rotação era ainda mais rápida, e estimativas indicam dias com algo entre 5 e 10 horas. Ou seja: o padrão atual de 24 horas não é uma regra eterna. É só a configuração em que a Terra se encontra agora.

Ainda que a Lua seja a grande protagonista dessa desaceleração, ela não age sozinha. Existem outros fatores capazes de mexer na velocidade de rotação da Terra, mesmo que por curtos períodos.

Grandes terremotos, deslocamentos de massas de ar, mudanças nos oceanos, derretimento de geleiras e movimentos internos do núcleo terrestre também entram nessa conta.

Em tempos recentes, inclusive, cientistas registraram dias ligeiramente mais curtos do que o esperado, mostrando que o comportamento do planeta é mais instável do que parece.

Essa é justamente a parte que dá ainda mais força ao tema: a Terra não funciona como um relógio travado.

Ela oscila, responde a forças internas e externas, e vive ajustes contínuos que passam despercebidos por quem só olha para o calendário. O que para o público parece fixo, para a ciência é um sistema em movimento.

E essa observação não serve apenas para render manchete curiosa. Pequenas variações na rotação terrestre têm peso real em tecnologias de alta precisão, como GPS, satélites e sistemas de comunicação.

Por isso, pesquisadores acompanham essas oscilações com equipamentos capazes de detectar mudanças minúsculas.

O mesmo estudo que aponta para um futuro de dias com 25 horas também ajuda a manter de pé parte da infraestrutura tecnológica usada hoje no mundo inteiro.

Leia também: Você pode estar acumulando microtraumas sem perceber — entenda os sinais, segundo a psicóloga Josie Conti

Referências: Why the day is 24 hours long: The history of Earth’s atmospheric thermal tide, composition, and mean temperature | Science Advances

Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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