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Vovô sírio de 83 anos adota 11 netos depois de perder seus filhos na guerra.

A guerra civil de 10 anos na Síria causou perdas terríveis para o país e para a humanidade. O panorama atual desta nação do Oriente Médio, segundo a ONU, tem 6,6 milhões de deslocados no território, 5,6 milhões de pessoas que tiveram que emigrar para outro país e mais de 388 mil mortos em consequência de uma violência que teve poucas pausas.

Infelizmente, entre as vítimas dessa guerra, estão parentes de Abderrazaq Khatoun, um homem de 83 anos que teve que enterrar 13 de seus 27 filhos e uma de suas três esposas.

Mas mesmo em seus muitos anos, este homem que dirige uma grande família, não quis baixar os braços. E por isso adotou 11 netos, instalando-se com eles e sua família de 30 membros em quatro tendas que construiu em terras agrícolas que alugou na cidade de Harbanoush.

Cercado por oliveiras e novos membros para sua família crescida, este homem passa seus dias cultivando o que pode e ajudando seus pequenos em suas tarefas. Acompanha-os e educa-os, preocupando-se sempre com que tenham aprendido o que lhes foi ensinado.

“Espero que tenham uma vida feliz e que se lembrem das histórias de seus pais se sacrificando para defender a terra (…). Não vou privá-los de nada enquanto eu viver”, revela Abderrazaq Khatoun à AFP.

AFP

Cenas como sentar-se no colchão e estar cercado pelos netos – de um a 14 anos – são comuns quando se trata dos momentos de estudo e descanso.

AFP

Um fazendeiro que aprendeu a ser pai novamente, depois que a guerra civil levou vários de seus filhos, que morreram lutando contra as forças do governo ou então, os menores, que foram vítimas acidentais dos conflitos armados.

No entanto, apesar de ainda sofrer as dores do luto, ele não para de expressar o quanto se orgulha deles. Seus filhos defenderam sua terra, eles se sacrificaram por ela, mesmo que isso significasse partir mais cedo. Exemplos de vida e coragem que Abderrazaq Khatoun procurará ensinar aos seus netos, que está criando hoje como se fossem seus filhos.

AFP

Ele fala com eles sobre a importância de defender o que é justo e lutar por uma vida digna. Abderrazaq quer que seus netos valorizem o sacrifício de seus pais e cresçam admirando-os como os mártires que foram. E enquanto este homem de 83 anos cuida de seus 11 novos filhos, ele continua esperando que a justiça seja feita por sua esposa e pelos 13 descendentes que ele perdeu na guerra.

AFP

 

Com informações de UPSOCL

Ana Carolina Conti Cenciani

Ana, 20 anos, estudante de Artes Visuais na UNESP de Bauru. Trago aqui matérias que são boas de se ler.

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