COLABORADORES

Viver para agradar os outros é vender a própria alegria numa feira de liquidação.

Às vezes acontece depois de um banho morno. Outras vezes, no meio de um picolé numa tarde excessivamente quente. Ainda há outras vezes em que a mágica acontece no instante em que o corpo se entrega ao sono. Sem deixar de mencionar a delícia que é aquele momento em que nos damos de presente o silenciar da mente. Paramos de viver para agradar, para nos ajustar, para tentar caber em um modelo que não nos serve.

É quando conseguimos nos desapegar do controle, da obstinação em achar respostas plausíveis para todos os dilemas e da necessidade de atender às expectativas dos outros em relação ao que temos a oferecer, que temos a chance indescritível de nos libertarmos das correntes tão pesadas da cobrança, da culpa e da insatisfação.

Viver para agradar os outros é vender a própria alegria numa feira de liquidação. Abrir mão dos sonhos em troca de uma segurança cem por cento planejada, é esfarelar em milhões de migalhas a delicada e rara joia que nos ilumina o peito, chamada paixão pela vida. Negar-se o próprio colo, o próprio tempo e o próprio amor, é passar aos outros o poder de decidir sobre o próprio destino.

Somos a combinação – às vezes harmoniosa, às vezes caótica – das inúmeras experiências que fomos colecionando ao longo do processo. Somos as lágrimas que deixamos correr quando o prazer ou a dor atingiu o clímax. Somos os momentos em que fechamos os olhos, num piscar de olhos que descobriu o amor. Somos a falta de ar das descobertas. Somos o excesso de luz da generosidade. Somos a sombra dos medos que nos acompanham. Somos a intersecção entre que o que queremos, o que desistimos e o que damos conta de ser.

E quanto menos colocarmos em outras mãos a responsabilidade pela nossa alegria, mais oportunidades teremos de descobrir o que de fato nos encanta, nos move e mobiliza. Menos vulneráveis estaremos em relação às tempestades ou períodos de seca, que certamente nos encontrarão em algum ponto do caminho.

Descobrir-se para revelar, em si e para si, os caminhos simples ou complexos que se entrelaçam entre aquele que fomos, somos e viermos a ser. Aceitar-se, para deixar fluir de dentro para fora a nossa vocação para fazer, compartilhar e receber o bem. Abraçar-se, para encontrar as formas mais simples e bonitas de se conectar, consigo mesmo e com o outro. Encontrar a paz, enfim.

Ana Macarini

"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"

Recent Posts

Você faz isso ao acordar? 4 hábitos matinais ligados ao risco de derrame que muita gente ignora

A primeira hora do dia costuma ser tratada no automático: levantar correndo, resolver pendências e…

23 horas ago

Esses pontinhos na visão podem não ser tão inofensivos: o que um oftalmologista recomenda fazer agora

Se você começou a ver manchas se mexendo na visão, este alerta de oftalmologista pode…

23 horas ago

Novo estudo liga autismo a fator inesperado durante a gestação e levanta alerta

O autismo pode começar antes do nascimento? Estudo traz nova pista

24 horas ago

Ela tem mais de 75 anos, não fez plástica e surpreende quem vê hoje — o antes e depois virou assunto

Você lembra dela? Atriz de olhar inesquecível surge aos 77 sem plástica e chama atenção

24 horas ago

Ela foi considerada a mulher mais bonita de Hollywood… Agora aos 86 anos, sua aparência atual está dando o que falar

Quem vê hoje nem acredita: a atriz mais bonita de Hollywood surgiu aos 86 anos…

1 dia ago

Você pode estar entendendo seu corpo errado — veja se você é ectomorfo, mesomorfo ou endomorfo

O motivo de seu corpo reagir diferente pode estar aqui — descubra qual é o…

1 dia ago