Celebridades

Há algo estranho na apresentação de Elvis em Viva Las Vegas, e não é a música que ele canta

Lançado em 1964, Viva Las Vegas reuniu Elvis Presley e Ann-Margret em uma comédia musical que misturava romance, corridas de automóveis e apresentações embaladas pelo rock. A parceria funcionou tão bem que o filme se tornou um dos trabalhos mais conhecidos do cantor no cinema. Entretanto, algumas cenas escondem erros de continuidade, pequenos descuidos de produção e situações bastante improváveis.

Dirigido por George Sidney, o longa acompanha Lucky Jackson (Elvis Presley), um piloto que chega a Las Vegas disposto a vencer uma importante corrida. Seus planos ficam mais complicados quando conhece Rusty Martin (Ann-Margret), uma instrutora de natação que desperta seu interesse amoroso, mas não gosta da ideia de vê-lo arriscando a vida nas pistas.

A produção começou a ser filmada em julho de 1963 e aproveitou diferentes pontos de Las Vegas como cenário, incluindo os hotéis Sahara e Flamingo. Com aproximadamente 86 minutos de duração, o filme também registrou imagens de uma cidade que mudaria consideravelmente nas décadas seguintes.

Os sapatos de Ann-Margret mudam durante a dança

Uma das gafes mais conhecidas acontece durante uma apresentação de Rusty. A personagem começa a coreografia usando sapatos de salto alto, mas, conforme a sequência avança, aparece com sapatilhas de balé.

A troca é perceptível quando se observam os pés da atriz entre os cortes. Em determinados momentos, o salto volta a aparecer, revelando uma inconsistência na montagem.

A cena é lembrada principalmente pela habilidade de Ann-Margret como dançarina. Sua movimentação é tão intensa que o detalhe do figurino pode passar despercebido em uma primeira exibição.

Uma fita misteriosa aparece e desaparece da mão de Elvis

Na apresentação musical de What’d I Say, outro detalhe chama a atenção. Durante a coreografia, uma pequena faixa branca, aparentemente uma fita, pode ser vista nos dedos da mão direita de Lucky Jackson.

O curioso é que o objeto desaparece em determinados enquadramentos e reaparece em outros, embora a apresentação transcorra como uma única sequência.

Esse tipo de erro costuma ocorrer quando tomadas gravadas separadamente são reunidas na edição. No caso da cena, porém, não há uma explicação documentada para a presença da fita.

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Elvis canta, mas seus lábios não acompanham a música

A própria apresentação da canção Viva Las Vegas apresenta uma falha perceptível de sincronização.

Em alguns momentos, os movimentos da boca de Elvis não correspondem exatamente à voz reproduzida na trilha sonora. O desencontro fica mais evidente quando a câmera se aproxima do cantor.

A utilização de músicas previamente gravadas era comum nos musicais da época. Ainda assim, a diferença entre o áudio e os movimentos labiais acabou entrando nas listas de pequenos erros do filme.

O rival de Elvis sofre um acidente impressionante e aparece ileso

Uma das situações mais improváveis acontece perto do encerramento, durante a corrida decisiva.

O conde Elmo Mancini, interpretado por Cesare Danova, disputa a vitória com Lucky Jackson, mas sofre um acidente violento. Seu automóvel sai da pista e acaba envolvido em uma colisão que causa grandes danos à região ocupada pelo motorista.

Pela gravidade das imagens, seria razoável esperar consequências sérias para o personagem. Entretanto, pouco depois, Mancini aparece na cerimônia de casamento de Lucky e Rusty, aparentemente recuperado e sem ferimentos visíveis.

A sequência chama a atenção pela ausência de qualquer explicação para uma recuperação tão surpreendente.

O carro de Mancini muda de modelo antes da batida

O acidente do conde apresenta outra curiosidade que dificilmente seria percebida sem observar os automóveis com atenção.

Ao longo da corrida, Mancini dirige uma Ferrari 250 GT. Entretanto, na sequência da colisão, o veículo apresentado como seu carro passa a ser um Daimler SP250 Dart.

A substituição é apontada em registros de erros cinematográficos e provavelmente está relacionada à necessidade de utilizar outro automóvel nas filmagens da batida. Não há, porém, confirmação documental sobre a razão específica da troca.

Uma guitarra elétrica que não está conectada

Em uma sequência musical ambientada em uma pista de dança com formato de roleta, Lucky aparece tocando uma guitarra elétrica.

O detalhe é que o instrumento não apresenta um cabo conectado a um amplificador. Embora a música continue normalmente, a cena revela a natureza encenada da apresentação.

Outro desencontro entre imagem e som aparece em What’d I Say. Enquanto a trilha apresenta um timbre de piano elétrico, o instrumento visto no palco é um piano de cauda acústico.

Os figurantes também protagonizam erros

Nem todas as falhas envolvem Elvis ou Ann-Margret.

Na apresentação de The Climb, integrantes do grupo The Coasters aparecem em diferentes enquadramentos. Em uma tomada aproximada, nenhum deles utiliza óculos. Quando a câmera mostra o palco de maneira mais ampla, um dos vocalistas surge usando o acessório.

Outro erro pode ser observado durante uma coreografia de Rusty na Universidade de Nevada. Um dançarino ruivo, posicionado entre os integrantes do grupo, é substituído por um homem loiro em um corte da sequência. As roupas e os sapatos também mudam.

São detalhes que revelam como a montagem de apresentações musicais, com vários participantes e tomadas realizadas em momentos diferentes, pode produzir inconsistências visuais.

Um passeio de helicóptero pouco convincente

Fora das apresentações musicais, também existe uma situação curiosa envolvendo Lucky e Rusty.

Durante um passeio de helicóptero pela região da Represa Hoover e do Lago Mead, os personagens conversam tranquilamente, sem utilizar fones de ouvido ou microfones.

O aparelho mostrado na sequência é pequeno e possui uma cabine bastante aberta. Nessas condições, o barulho produzido pelo motor e pelas hélices dificultaria consideravelmente uma conversa em tom normal.

A cena funciona como parte do romance, mas não representa de maneira realista as condições sonoras daquele tipo de voo.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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