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Vire a página, há um novo capítulo esperando por você

A maioria de nós quer manter junto as coisas, as pessoas e as situações que já fazem parte de nossas vidas, porque isso transmite certa sensação de segurança. Porém, na ânsia de tentarmos controlar o mundo à nossa volta, acabamos muitas vezes nos esquecendo de refletir sobre a real necessidade de tudo aquilo que queremos próximo de nós.

Custa-nos enfrentar a quebra de paradigmas, o abalo de nossas certezas, o confronto com aquilo que vem de encontro às nossas verdades. Preferimos, na maior parte das vezes, confinar nossas vidas dentro dos limites de nossa zona de conforto, de onde parecemos ter o controle de tudo, onde temos a falsa sensação de serenidade, uma vez que a vida clama por mudanças e elas virão, queiramos ou não.

Instalados comodamente sobre nossas frágeis certezas absolutas, tornamo-nos insensíveis ao que mantemos junto sem razão alguma, ao que nos emperra o caminhar, ao que nos diminui e não soma nada, apenas subtrai. É mais fácil fechar os olhos aos incômodos que carregamos aos trancos e barrancos do que tomar a iniciativa de nos livrar do que parece seguro, mas na verdade é frágil, nocivo e vazio de significância.

E assim vamos engolindo a companhia vazia do parceiro que nem nos percebe mais como gente, vamos chorar escondido por toda a humilhação sofrida no emprego, vamos alimentando a falsa esperança de que aquele amigo ausente ainda vai sentir a nossa falta, vamos preenchendo nossas noites medíocres com guloseimas e enlatados televisivos. Vamos, enfim, sem ir pra lugar nenhum, sem viver o que e como merecemos.

Jamais deveremos nos acomodar ao que temos, passivamente, sem refletir continuamente sobre o verdadeiro valor das coisas e das pessoas que aparentemente já fazem parte de nosso viver. É preciso discernimento e coragem para que possamos tomar a iniciativa de romper com tudo o que não nos acrescenta, não nos enriquece, não nos faz bem, não nos ama de volta.

A cada novo dia, afinal, podemos nos reencontrar com a possibilidade de sermos felizes, dependendo tão somente de nós mesmos partir em busca de nossos sonhos, de preferência nos despedindo dos pesos inúteis que atrapalham os sorrisos que temos o direito de estampar em nossos rostos. Porque sorrir com verdade e com amor é e sempre será o nosso mais precioso combustível de vida.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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