Quem conta uma mentira raramente se dá conta do pesado fardo que toma sobre si. Para manter uma mentira, muitas vezes é preciso inventar outras vinte.
Mentir requer uma concentração absurda. A história precisa convencer o outro, precisa fazer algum sentido, ainda que minimamente. E, para que o enredo não fique sem pé nem cabeça, aquele que mentiu vai colecionando argumentos.
O problema desses argumentos é que eles carecem de solidez. Uma vez que foram criados para alicerçar tardiamente, uma inverdade que se disse por impulso ou premeditação, são frágeis e artificiais.
A mentira pode vir a se tornar um hábito. Há pessoas que as usam como acessórios; enfeitam fatos ou vivências reais com alegorias falsas, na tentativa de dar às suas histórias ou memórias pessoais uma aparência mais interessante.
E de tanto “florear” a realidade, a vida da pessoa vai sendo transformada num jardim de flores de plástico. As experiências reais, relegadas a pano de fundo, perdem o viço e a importância.
Aos poucos, a pessoa que “aumenta”, mesmo sem perceber, vai deixando de investir em vivências ricas de significados, porque se habitou a enriquecê-las depois, com detalhes que variam de acordo com a intenção ou necessidade.
Há ainda aqueles que mentem com tanta convicção que as memórias acabam virando uma mistura caótica de coisas que realmente aconteceram, outras que aconteceram, mas não exatamente daquela forma e outras, que são uma completa ficção.
A perda do contato com as experiências reais produz indivíduos rasos e pouco confiáveis. O comportamento daqueles que se habituam a inventar, sai facilmente dos trilhos e acaba descambando para a falta de noção. E há poucas coisas tão constrangedoras quanto ficar desacreditado.
Todo mundo mente? Ahhhh.. sim. Circunstancialmente todo mundo vai acabar contando uma mentirinha aqui, outra ali. Até porque, tem verdades que é melhor a gente guardar numa gavetinha secreta qualquer. Aquelas gavetinhas da mente sem comunicação com a língua, sabe?!
A verdade a verdade mesmo. Não a minha verdade, a sua verdade, a do padre, do terapeuta, ou de qualquer outro tipo de guru autoproclamado. A verdade, que existe a despeito do quanto a gente acredita ou questiona; essa daí tem muita força. É um curso d’água em queda livre. Invade tudo e acaba vazando por todas as frestas. E as mentiras que se preparem junto com seus idealizadores; mais dia, menos dia, acabarão afogadas ou carregadas para bem longe das maravilhosas realidades que foram impedidas de brotar.
Imagem de capa -meramente ilustrativa- personagens da série “Pretty little liars”
A inteligência artificial, como o ChatGPT, vem ganhando espaço na rotina de muitas pessoas. Ela…
A expressão “terapia por IA” ganhou espaço nas buscas da internet. Com a popularização dos…
Ela era presença constante na televisão, mas hoje poucos sabem como vive a atriz de…
Seu azeite pode não ser tão extravirgem quanto parece; laudo aponta marcas reclassificadas
Essas pequenas esferas brancas apareceram ao lado da cama e deixaram muita gente intrigada
Há um detalhe no seu ano de nascimento que pode revelar algo curioso sobre sua…