Pamela Camocardi

Vai por mim, uma hora a gente cansa

Nem todos irão entender a sua vontade de desistir. Provavelmente, irão julgar seus caminhos, seus passos, suas escolhas e dizer que você deveria ter “tido mais paciência”. Levando em consideração o quanto você aguentou, o quanto relevou e o quanto perdoou para manter esse relacionamento até aqui, você não deveria se importar com os conselhos alheios.

A vida seria mais simples (e chata) se tudo o que sentimos coincidisse com o que outros pensam, não é? Mas a vida não é assim. É tanto esforço, tanta insistência, tantos pedidos de desculpas aceitos que, um dia, a gente cansa. Como diz Carpinejar “a gente não cansa de amar, a gente cansa de não ser amado”.

A gente cansa de esperar por mudanças de quem não está disposto a mudar, cansa de se esperar iniciativas de quem nunca as teve, cansa de ser culpado de atitudes que não cometeu.

A gente cansa de ser uma versão resumida de si mesmo e de tentar se encaixar na vida dos outros. A gente cansa de esperar carinho, de cobrar a presença e de exigir respeito. Cansa de relevar as grosserias diárias e de considerar apenas, as poucas, que nos fazem sorrir.

A gente cansa, sem poesia alguma, de ser trouxa. E quer saber? Estar cansado é um grande privilégio! Quando estamos cansados somos capazes de filtrar os sentimentos por relevância e não por carência. Somos capazes de dar valor ao que, realmente, merece e não ao que julgamos merecer. Aprendemos a fazer escolhas maduras e a arcar com as consequências dos nossos atos com a seriedade que a vida exige.

Acontece exatamente assim: quando o cansaço nos abate, o amor próprio nos levanta. A partir daí, somos capazes de caminhar sem culpas, sem rancores, sem frustrações. Paramos de encontrar culpados e apenas seguimos em frente.

Começamos a entender que amor cansado não sobrevive, mas que pessoas cansadas se regeneram. Começamos a não aceitar relacionamentos mornos, pessoas indecisas e ligações nos domingos a noite. Enxergamos o próprio valor e aprendemos a respeitar os próprios limites.

Começamos a ver a vida colorida e a perceber que, por mais que queiramos muito alguém, conseguimos viver sem. Constatamos que ninguém morre de amor e que, toda dor, intensa ou não, passa.

Um dia, em alguma fase da vida, a gente percebe que precisa assinar a própria carta de alforria e entender que, se nem o amor é eterno, imagine o número de chances que damos aos outros.

Imagem de capa: ArtFamily/shutterstock

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

Recent Posts

O tempo passa para todos, mas o que ela fez com a maturidade é de deixar qualquer um de boca aberta!

Há artistas que envelhecem diante das câmeras sem que o público aceite muito bem uma…

4 dias ago

Após seis décadas de carreira, um Oscar e um Globo de Ouro, ela resolveu se aposentar e “transferiu” seu talento para os filhos

Longe do cinema há 20 anos, ela fez sucesso encarnando o estereótipo da 'loira boba…

7 dias ago

Ela quase foi dançarina e até ginasta, mas escolheu a música para deixar sua marca e vender mais de 150 milhões de discos!

De atriz mirim a ícone da música ainda na adolescência, ela superou a crueldade da…

1 semana ago

Com ascendência libanesa e espanhola, raízes italianas e sangue latino, ela é uma das maiores cantoras de todos os tempos

Nessa foto de 1982 ela tinha só 5 aninhos, e já esbanjava talento na escola!…

1 semana ago

Cientista cria probiótico que elimina bactéria ligada ao câncer de estômago

Câncer começa a alcançar mulheres e homens a partir dos 45 anos.

1 semana ago