Categories: COLABORADORES

Um tanto universais

Poucas palavras bastam para sabermos que somos um tanto quanto universais. Paixão, amor, solidão, ilusão, fantasia e todos os reinos povoados desses sentimentos que nos atravessam por dentro e são sempre nossos, inteiros, com muita força e graça, sem dó nem piedade. É o infinito de todas essas composições que nos joga em qualquer palco, em busca do entendimento de nós mesmos, numa viagem ininterrupta, na contramão da coisa.

Existem culturas e culturas, memórias, hábitos, costumes e tudo o que se configure na alma do lugar, nas características essenciais. O que mais surpreende, como num filme de suspense é que, ao passo que temos mais acesso ao mundo, sua multiplicidade e cumplicidade, mostras de todo sadismo, despudor, liberdade, invenções, ainda parece que estamos vivendo como nossos pais, como diz a letra de Belchior: “Minha dor é perceber/ Que apesar de termos/ Feito tudo, tudo/ Tudo o que fizemos/ Nós ainda somos/ Os mesmos e vivemos/ Ainda somos/ Os mesmos e vivemos/ Ainda somos/ Os mesmos e vivemos/ Como os nossos pais…”.

A dor continua, tão insistente como quando começou, e o que mais se tinha medo “Ainda somos os mesmos, e vivemos como nosso pais” é tão real que não se pode nem mesmo virar a cara como num estalo de pudor, é o que somos. Talvez nem sejamos ainda tão liberais nos costumes e ainda guardemos um saudosismo pelas pessoas e lugares que conhecemos, mas não sabemos quando será a próxima viagem.

Ouvi de um amigo outro dia “somos transuniversais”. Mas o que é isso? Pensei, na verdade, o que ele quis dizer com aquela convicção que apareceu em seu rosto ao pronunciar tal frase. Ou ele teve muita certeza de si ou nenhuma noção do que disse, mas fluiu com um tirânico sentido. Como se pudéssemos driblar qualquer barreira de cultura, língua, etnia, condição social, religião.

Talvez nem sejamos muito universais ou transuniversais, mas sabemos a carga dos sentimentos que compartilhamos ou damos a alguém num ato de altruísmo; às vezes desejamos a recompensa, um pouco da retribuição para nos sentirmos conectados e seguros na teia que nos une como seres humanos, sem distinções.

Patricia Dantas

Colunista da CONTI Escritora no Wattpad: @patriciadantas1 Autora do livro de crônicas Intimidades de uma Escritora, pela Editora Multifoco. Coautora do livro de crônicas e poemas Vestidas de Palavras pela Editora Scortecci. Participação em Antologias: Solilóquio Antologia Crônicas, Focus Antologia Poética VII, Antologia Mundo, Concurso Antologia Poética, pela Editora Cogito.

Recent Posts

Pouco antes de morrer de câncer, ele ainda mantinha um hábito que já preocupava amigos havia anos

Patrick Swayze ficou marcado no cinema pela condição física exibida em filmes como Dirty Dancing,…

4 dias ago

DESAFIO: Você pode olhar várias vezes para esta imagem e ainda deixar alguns dos 7 gatos passarem

A ilustração parece mostrar apenas um jardim cheio de detalhes: uma árvore carregada de folhas,…

4 dias ago

Uma desconhecida apareceu no cemitério com um envelope e mudou o que ela sabia sobre a filha

Durante dez anos, Elizabeth criou o neto sem saber explicar uma das perguntas que ele…

4 dias ago

Desafio visual: O guarda-chuva não está onde você provavelmente procuraria nesta livraria cheia de detalhes

A ilustração de uma antiga livraria parece comum nos primeiros segundos. Livros ocupam quase todos…

4 dias ago

Mary Ann Bevan aceitou ser exibida em público, e o motivo tinha relação direta com seus quatro filhos

Durante boa parte do fim do século XIX e do início do século XX, pessoas…

7 dias ago

Algumas das fotos mais interessantes de Diana não são as mais famosas e contam outra parte da história

Poucas figuras públicas foram fotografadas com tanta frequência quanto a princesa Diana, né? Durante os…

7 dias ago