Um médico chorando pela dor de perder um paciente! A força do vínculo entre quem cuida e quem é cuidado.

Por Marcela Alice Bianco

Um médico chorando pela dor de perder um paciente! Essa foi uma das imagens que um dia inundou as redes sociais. Mas como abarcamos essa condição atualmente?

Não se restringindo apenas ao profissional da medicina, mas estendendo para toda a equipe de saúde, qual o espaço que os mais puros sentimentos e emoções humanas encontram nos hospitais, enfermarias, ambulatórios, prontos-socorros e UTIs?

Que conjunto de comportamentos são esperados pela sociedade e pelos próprios profissionais, diante da enorme gama de situações de extrema emoção despertadas pela vivência diária com seus pacientes?

Frustrações, desamparo, medo, incerteza, ansiedade, esperança, amor, cuidado, envolvimento…esses são apenas alguns dos sentimentos que nós profissionais que lidamos com seres humanos nos deparamos no dia a dia.

O lugar do cuidado é também o lugar da crise! Espaço de polaridades, onde são experienciadas a doença, a dor, a dúvida, o sofrimento, a perda, o estresse, a morte, o luto. Mas também o recinto da saúde, da esperança, da informação, da comunicação, do conforto, do alívio, do cuidado e da cura. Cenário de nascimentos, morte e renascimentos. Onde ocorrem mudanças, divisões de fases e a emergência de inúmeros processos individuais, familiares e coletivos.

Para Jung, “o encontro de duas personalidades é como uma mistura de duas substâncias químicas diferentes: no caso de se dar uma reação, ambas se transformam.”

Dentro de tamanha complexidade, por mais que o profissional quisesse, ele não conseguiria ficar imune as emoções e aos sentimentos despertados pelas inúmeras situações com a qual se envolve.

Todavia, ainda existe em algumas instituições a ideia de que o profissional precisa ser técnico e para isso tem que separar suas emoções no local do trabalho.

O que temos nesses casos, são relatos de profissionais endurecidos ou que sofrem isolados, choram nos banheiros, abusam de substâncias psicoativas e adoecem! Diga-se pelo número de pessoas acometidas pela Síndrome de Burnout e muitas sem o devido tratamento.

A força do vínculo entre quem cuida e quem é cuidado é o fator que mais me toca nessa imagem! Um vínculo que pode ser o maior motor que impulsiona a cura e a vontade de curar. Afinal quem de nós não se sente especial e acolhido quando encontramos um profissional da saúde que nos olha nos olhos, se importa com a gente e está realmente interessado no nosso bem-estar?

Mas é preciso também cuidar de quem cuida! Estender esse olhar humano e acolhedor para a pessoa que está por baixo do jaleco branco e oferecer a ela todo o amparo que precisa para exercer bem sua profissão.

Para Miguel de Unamuno, “do seu trabalho, você conseguirá um dia colher a si mesmo“.

O grande ganho de trabalhar com pessoas é que através das experiências colhemos também em nós o ferido que somos, e isso é essencial para o processo de cura e transformação aos qual estamos destinados.

Marcela Alice Bianco, colunista e parceira Conti outra

Médico da Califórnia, nos Estados Unidos, chorando na calçada da rua depois da morte de um paciente de 19 anos.
Marcela Bianco

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana formada pela UFSCar. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Sedes Sapientiae e em Gerontologia pelo HSPE. CRP: 06/77338

Recent Posts

Brasileiros no exterior e saúde emocional: quando a vida fora do país começa a pesar

Morar fora do Brasil costuma ser visto como uma grande conquista. Para muitos brasileiros, a…

22 horas ago

Divulga Mais Brasil é confiável? Veja como não confundir empresas com nomes parecidos

Divulga Mais Brasil é confiável, Divulga Mais Brasil Reclame Aqui, Divulga Mais Brasil golpe, Divulga…

23 horas ago

O segredo dos ovos na garrafa! Um velho truque que aprendi com o meu pai!

Quem já tentou carregar ovos fora da embalagem original sabe que a tarefa parece simples,…

2 dias ago

Evite ataque cardíaco, trombose e derrame: 7 alimentos que destroem os coágulos sanguíneos. O #4 é vital!

Não faça parte da estatística de quem 'não sabia! O coágulo não avisa quando vai…

2 dias ago

Ela era vista nos anos 90 como a mulher mais bonita dos Estados Unidos, mas os bastidores da fama mudaram tudo

Ela foi o sonho de muitos homens nos anos 90, até a fama cobrar um…

2 dias ago

É pelo seu bem’: a frase perigosa que familiares usam para controlar sua vida e como dar um basta nisso hoje

Se alguém da sua família faz isso com você, talvez esteja na hora de impor…

4 dias ago