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Um detalhe na orelha pode indicar risco cardíaco? O sinal que voltou à tona após a morte de Maderite

A morte do influenciador e empresário Henrique Maderite, aos 50 anos, em Minas Gerais, levantou uma curiosidade que muita gente nunca tinha notado: um vinco no lóbulo da orelha que apareceu na autópsia e voltou a circular nas redes como possível pista de risco cardíaco.

O traço em questão é uma prega diagonal no lóbulo, conhecida como sinal de Frank. Na prática, é um sulco que “corta” o lóbulo em diagonal.

Pesquisadores investigam há décadas se esse detalhe pode acompanhar alterações em vasos sanguíneos e em tecido nervoso — mudanças que, em alguns casos, aparecem junto de problemas cardiovasculares.

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Um dado que costuma ser citado vem de um estudo de 2006 da Unesp, feito com 110 homens: o sinal foi observado em 60% dos participantes com doença arterial coronariana, e em 30% dos que não tinham a doença.

Esse tipo de achado chama atenção porque sugere uma associação, mas não prova, por si só, que o vinco “causa” algo ou que ele seja um marcador confiável para todo mundo.

O nome “sinal de Frank” é uma referência ao médico americano Sanders T. Frank, que descreveu a marca em 1973 e abriu espaço para pesquisas em diferentes países.

Desde então, o tema virou alvo de estudos e revisões tentando entender quando esse sulco realmente tem algum significado clínico — e quando é só uma característica comum.

Uma revisão publicada em 2022 pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM) aponta que o sinal pode ajudar como indicador de risco cardiovascular em pessoas sem sintomas, funcionando como mais um alerta na triagem.

Mesmo assim, a própria literatura reforça um ponto essencial: o vinco no lóbulo não entra no lugar de consulta, histórico de saúde e exames.

A discussão existe porque alguns especialistas enxergam esse sulco como algo que pode aparecer com o envelhecimento, assim como o risco de infarto tende a subir com a idade.

Nesse raciocínio, a marca estaria “andando junto” com outros fatores, sem necessariamente ter utilidade real para prever eventos cardíacos.

O angiologista e cirurgião vascular Ricardo Augusto faz uma ressalva direta: até agora, não há estudos grandes o suficiente nem diretrizes internacionais que coloquem o sinal de Frank como ferramenta com poder preditivo comprovado nos cálculos usados no dia a dia.

Ele reconhece que a marca pode aparecer associada à doença aterosclerótica, mas lembra que isso vem de estudos observacionais, e não de modelos validados para prever risco com precisão.

Se você reparou esse vinco na sua orelha (ou na de alguém da família), vale tratar como um lembrete para checar a saúde, e não como diagnóstico: pressão arterial, colesterol, glicemia, hábitos (tabagismo, sono, atividade física) e histórico familiar costumam pesar muito mais na avaliação médica.

E se surgir dor no peito, falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar forte, a orientação é procurar atendimento imediato, com ou sem sinal no lóbulo.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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