O mundo necessita de regras e normas, as pessoas também. Somos meio desobedientes por natureza e, muitas vezes, nossa empolgação necessita de freios, sejam aqueles que nossos limites éticos constroem, sejam os que se pautam por legislações e normas de convivência.

Além disso, infelizmente, existem pessoas que desconhecem a interação social como ela deve ser, pois somente pensam em si mesmas. Priorizam seus objetivos, acima de tudo e de todos, pouco se importando com os sentimentos alheios, com as feridas que vão deixando pelo caminho. Em um grau extremo, inclusive, esse comportamento indica alguma psicopatia.

Quando nos tornamos adultos, devemos deixar para trás algumas características que são próprias das crianças e dos adolescentes. Amadurecer requer uma visão de mundo mais empata e comedida. No entanto, alguns comportamentos, salvaguardadas as devidas proporções, deveriam permanecer, ao contrário do que usualmente acontece, tais como a capacidade de se encantar de uma criança e o inconformismo de um adolescente.

Tais características deveriam ser mantidas, porém aprimoradas, amadurecidas. Não tem como se encantar com a ingenuidade pueril, ou se revoltar destemperadamente com a intensidade de um adolescente. O que é desejável tem a ver com um olhar crítico e oxigenado sobre as pessoas, a vida, o mundo. Tem a ver com não aceitar a dor como companheira, com não se submeter a convenções castradoras ilógicas e não se calar diante do que fere.

Inconformar-se positivamente faz com que a arte, a música, a poesia se ressignifiquem, tornando-se porta-vozes de uma maneira outra de encarar a vida. Faz com que absurdos sejam vencidos, injustiças sejam reparadas, minorias sejam ouvidas. Torna possível a pessoa se encontrar, encontrar seu caminho, seus amores, seus propósitos. Cada conquista de alguém que não se conforma alcança um tanto de pessoas que se entristecem sob contrariedades impostas por quem dita regras de acordo com o que pensa.

Não se trata de gente que contradiz tudo, sem nem saber por qual motivo exatamente, ou de forma agressiva, mas de quem defende causas e derruba preconceitos num caminho que pode não ser tranquilo, mas que é limpo e necessário. Portanto, um brinde aos inconformados com o que pode mudar, aos que se lançam, que contestam, que abraçam e enxergam além de si, pois por eles o mundo avança, renova-se, respira de novo.

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Imagem de capa: Ann Haritonenko, Shutterstock- licença vitalícia CONTI outra

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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