Chegamos em um ponto crítico da vida. Infelizmente, é mais comum mentir do que sentir. Somos uma triste geração tão acostumada com a negação, que corremos de qualquer possibilidade verdadeira de aproximação.
Na infância, podíamos pensar muitas vezes sobre o constrangimento de demonstrar afeto em público. Principalmente pelos nossos pais e outros parentes. Não é que fôssemos avessos ao carinho, mas era um trato social não expor certas atitudes na frente de estranhos. Com o tempo, na adolescência, ignoramos qualquer protocolo na busca por um alguém que nos completasse. São os hormônios, dizem. Era liberado ter uns momentos a mil por hora com alguém. Os cinemas que o digam. Mas o tempo passou. E passou rápido.
Hoje, somos uma geração de adultos que não sabe lidar com os sentimentos. Gostar é pouco, amar é muito e mentir tornou-se o ideal. Por quê? Por que fingir, mascarar e manipular experiências para um ganho exclusivo? Será que tivemos tantos tropeços ao longo da vida que viramos cascas sem nada para oferecer? Quando foi que o amor virou essa pedra no sapato? Quando, no mais irresponsável dos encontros, decidimos que não valeria a pena sentir, mas sim distorcer a realidade?
Talvez, essa seja história que preferimos contar. Aquela na qual viramos vítimas de outras sensibilidades não correspondidas. Onde, escolhendo o sentir errado, fizemos um voto de não mais permitirmos algo de verdade. Trouxa de novo? Nem pensar. Se fosse assim tão fácil. Se fosse assim tão difícil. No fundo, é tudo sem sentido, mas com sentimento. Trouxa é fingir não querer, querendo. É estipular atitudes, ditar os discursos e anotar num caderno quantos flertes foram entregues. Paremos. Paremos antes que seja tarde. Paremos antes que a mentira fique convincente. Paremos antes que o coração cegue.
É triste uma geração que prefere mentir do que sentir. Chegamos em um ponto crítico da vida, onde nada nos resta a não ser jogar toda essa bobeira de negar para o alto e, finalmente, urgentemente, com gentilezas, apenas sentirmos. De uma vez por todas, por favor.
Imagem de capa: Sonhando Acordado (2006) – Dir. Michel Gondry
Existe um momento silencioso, pouco comentado, em que uma pessoa percebe que talvez não consiga…
Existe uma ideia muito comum — e silenciosamente cruel — de que sofrimento emocional melhora…
psicólogo online fim de semana, terapia online fim de semana, atendimento psicológico fim de semana,…
Nem todo sofrimento emocional surge em horários previsíveis. Muitas pessoas relatam que os momentos mais…
Há momentos em que o sofrimento emocional não aparece de forma gradual. Ele chega intenso,…
O atendimento psicológico imediato é uma modalidade de cuidado emocional voltada para momentos em que…