Thamilly Rozendo

“Triste é viver mais de touch do que de toques”

Imagem de capa: nelen, Shutterstock

“Triste é viver mais de touch do que de toques” – Zack Magiezi

A nossa realidade é respaldada de avanços e sucesso, dizem até que a nossa geração evoluiu muito e continua a evoluir. Mas o que percebo é que, nesse “mundo moderno” em que vivemos, temos deixado cada vez mais para trás coisas importantes.

No mundo “moderno”, as pessoas não se falam mais. Os telefones não param de tocar, devido aos inúmeros compromissos diários. Aquele “vamos marcar algo” fica apenas na teoria e deixamos sempre para depois, porque precisamos terminar a tese de mestrado, entregar o trabalho da faculdade ou estudar para aquela prova. Dispensamos as pessoas e assumimos cada vez mais compromissos.

No mundo moderno, a tecnologia continua a evoluir e a alma humana continua a mesma por aí, esbanjando egoísmo e preconceito, justificando suas intolerâncias com verdades que ela mesma cria. Os gestos afetuosos foram trocados por mensagens nas redes sociais, afinal, é mais fácil, porém, cada vez menos sincero.

Namoro já virou novidade e compromisso é coisa de quem quer perder tempo. A lei do desapego tomou conta e o desinteresse é o que paira sobre as relações. Quanto menos você demonstrar, melhor – esse é o ditame atual.

No mundo moderno, as mãos estão sempre ocupadas para segurar os aparelhos, os tablets, smartphones e afins, mas nunca estão dispostas a saudar com um bom dia as pessoas ao redor ou a ajudar quem tanto precisa de nós. Os olhos estão sempre atentos às mensagens e notificações, mas não conseguem perceber a dor de quem mora ao nosso lado, de quem convive e partilha o dia a dia conosco.

Os ouvidos sempre estão atentos para as novidades, mas não conseguem escutar aquele “eu te amo” ecoado baixinho pelos pais logo pela manhã, ao sair de casa. Não conseguem acolher alguém que precisa apenas do nosso abraço, da nossa força, da nossa coragem.

No mundo moderno, a boca sempre está pronta a indagar e responder bravamente, mas nunca preparada para soar uma palavra que transmita afeto e respeito ao próximo. Vejo cada vez mais ambição e menos compaixão nas pessoas. O tal “subir na vida” não respeita mais o espaço do outro, a ética e o bom senso. A competição é livre e vence quem jogar melhor.

No mundo “moderno”, ter é mais importante do que ser. E a alma humana continua a mesma: acreditando ser superior e dotada de razão, justificando suas falhas ao invés de assumi-las, apontando o dedo para o erro do outro, sem antes mesmo corrigir os seus.

É uma pena que, no mundo moderno, tenham se esquecido daquilo que não se perde com o tempo, daquilo que não sai de moda nunca: o respeito, o amor sincero e o toque acolhedor. Esqueceram-se de que ser feliz é uma proeza e não há nada melhor do que a consciência tranquila no final do dia. De que bonito mesmo é olhar para o outro com compaixão, saber olhar com bondade quem tanto precisa de nós.

Moderno mesmo é o amor que fica depois dos vendavais, quem é corajoso para desbravar uma história de amor e assumir o que sente, mesmo em meio a tanto caos do tal desinteresse.

Bonito mesmo é o respeito com as diferenças, as opiniões e quem evita a todo custo julgar o outro, mesmo quando todos insistem em apontar o dedo. É uma pena, como diz Zack Magiez, que a nossa geração seja cada vez mais do touch e cada vez menos do toque.

Thamilly Rozendo

Estudante de psicologia, apaixonada por artes, música e poesia. Não dispensa um sorvete e adora um pastel de feira com muito requeijão, mesmo sendo intolerante a lactose. Tem pavor de borboletas, principalmente as no estômago.

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