Marcel Camargo

Tem muito vilão se fazendo de vítima

Com uma frequência maior do que gostaríamos, aparece em nosso caminho aquele tipo de pessoa que, aparentando candura e solicitude, arma arapucas e vive nos metendo em situações desagradáveis que ela própria criou. E, para piorar, acaba se posando de coitadinha, como se o mundo conspirasse contra ela a todo instante.

Não importa onde e com quem estejam, os coitadinhos, mais cedo ou mais tarde, estarão envoltos em algum tipo de polêmica, cujo cerne é tão somente a fofoca, a maldade gratuita. Colegas de trabalho, amigos, familiares, ninguém sai ileso de sua necessidade de diminuir e de difamar o outro, agindo como quem não sabia de nada e chegou até ali de gaiato.

Trata-se de um comportamento extremamente danoso e que contamina negativamente todos os lugares por onde passar, pois essas pessoas se valem da mentira, da falsidade, da atuação para sobreviverem. Vivem uma vida fingida, que constroem em seus delírios e que querem transformar em realidade. Nunca são culpadas de nada, de maneira alguma, chegando facilmente às lágrimas para convencer o outro das ilusões que são delas mesmas.

Geralmente, são indivíduos insatisfeitos consigo mesmo e que invejam o que o outro é ou tem, sentindo-se injustiçados, por se enxergarem distorcidamente melhores do que realmente são. Em vez de lutarem para alcançar o que o outro possui, preferem destruir o colega, tirar dele tudo aquilo que pensam não ser justo.

E assim elaboram tramoias, envenenam os ouvintes, sempre agindo pelas bordas, tal qual num enredo novelesco, a fim de acabar com a vida do alvo de sua maldade. Então, quando o circo está armado, tentam assistir ao espetáculo que montaram como as vítimas da história, como alguém que foi usado e abusado por conta da ingenuidade e da bondade para com todos.

Não é difícil sermos engolidos para dentro de suas maldades, uma vez que possuem um verniz extremamente enganador, portando-se delicadamente, com gentileza e voz suave, sem se abalarem, como se fossem equilibradas e seguras, portanto, transparentes e verdadeiras. Doce ilusão. Externam o oposto de suas mentes em ebulição, constantemente tramando o pior, desejando o pior, querendo o nosso pior, insatisfeitas que são, miseráveis que se encontram por dentro. Não aceitam ver ninguém bem, pois nunca sentiram o que é o bem, ocupadas que estavam em olhar a vida dos outros.

Felizmente, mesmo que demore, as máscaras caem e a verdade vem à tona. Ainda que estejamos lesados emocionalmente, cabe-nos fugir o quanto antes da companhia dessas pessoas, permanecendo junto ao equilíbrio confortador de quem tem amor verdadeiro. As vítimas de si mesmas acabarão não sendo queridas por ninguém, sendo a nossa vida verdadeira e rodeada de gente feliz o pior castigo que elas terão – e merecidamente.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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