Tem gente que não sabe tocar, tem gente que arranha um sol-lá-sí-dó; tem gente que é capaz de nos fazer chorar com apenas dois acordes e gente que canta cada nota como se fosse a última. Também tem aqueles que, mesmo sem saber segurar direito um violão, parecendo ter nascido com dois braços esquerdos, consegue encantar, justamente pela falta de jeito.
Não importa a música, o ritmo, o estilo, é sempre a intensidade da entrega que importa. É preciso saber prestar atenção, não aos detalhes técnicos, mas aos emocionais, àquilo que mexe contigo, que te faz feliz, que te faz crescer e refletir, afinal, o que é a felicidade se não uma música que ecoa alto no peito da gente? Ouvido bom, vida sadia, já dizia o velho ditado que acabo de inventar.
Uma vez, tentei aprender a tocar piano e foi um completo desastre. Muitas teclas, poucos dedos. Preferi aprender a tocar as pessoas de outra forma, não por não achar graça no piano, nada disso, mas por total falta de competência mesmo. Às vezes acho que acertei na escolha, mas confesso que ainda sinto aquela pontinha de inveja quando vejo e escuto alguém tocando clássicos como “atirei o pau no gato”. Hoje, me contento em tocar outros instrumentos, mais “singulares”, com alcances e timbres diferenciados, como os cabelos da amada, os braços e a nuca. Penso que faço isso bem, mas pode ser só pretensão, o que vale nesse caso é o treino constante, a prática intensa e dedicada.
A vida, às vezes, até parece uma canção, feita por gente de verdade, sem maquiagem, sem medo de dizer o que precisa dizer e uma canção não é nada sem ninguém para ouvir e compartilhar.
Não importa se você é Caetano Veloso ou aquele tio simpático que leva o violão nas reuniões de família, o importante é viver a canção que a vida te dá pra cantar.
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