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Solte as cordas que os manipuladores amarraram em você

Vivemos presos a tantas coisas e pessoas, que nem nos damos conta do quanto estamos tolhidos e amarrados, andando aos passinhos curtos e lentos, presos às cordinhas, muitas vezes frágeis, mas muito bem amarradas.

Em família sempre há um expoente, que muito embora se pareça com um líder, pode também ser um manipulador ditando comportamentos, costumes, rotinas e até emoções. Para se livrar dessa corda não é preciso romper, apenas afrouxar, manter um espaço aceitável para todos.

No trabalho, é muito comum a ação dos manipuladores. Muitas vezes com jeitinho, agrados e elogios, e lá estamos nós, obedecendo cegamente, fazendo o que sequer avaliamos se queremos ou se devemos, porque mais uma vez nos deixamos amarrar.

Nos relacionamentos… as chantagens, a tirania, a manipulação da autoestima, do ego, a imposição, o medo, a falta de respeito…

As notícias, os vícios, as manias, a moda, a tecnologia, a necessidade de inserção, de aceitação, de pertencimento, tudo pode nos levar a estender os braços e dizer: amarre-me, manipule-me, me coloque em uma forma e só me tire quando eu estiver completamente moldado. Se assim escolhermos, assim será.

Por tudo isso, quando tomamos consciência das incontáveis cordas que nos enredam, da teia em que nos permitimos colocar e dos movimentos obtusos que fazemos por não sabermos mais como nos colocar em equilíbrio por nossos próprios pés, desejamos romper, rasgar, cortar as cordas com os próprios dentes se preciso for. O perigo de fazermos isso num ímpeto é descobrirmos que não sabemos mais ficar de pé sem as amarras.

Clarisse Lispector em uma carta à sua secretaria, Olga, escreveu: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro.”

Assim, também nós, tenhamos cuidado ao cortar as cordas que nos prendem e sufocam a liberdade de pensar, agir, decidir, escolher, viver.

Sejamos delicados, como nos jogos de equilibrio. Uma decisão após a outra, uma conquista, nova avaliação, mais uma tentativa, e vamos, pouco a pouco, soltando amarras de uma vida inteira, deixando de crer no manipulador de qualquer natureza, tirando-lhe todas as permissões, permitindo-se enfim, governar a própria vida.

Imagem de capa: Lia Koltyrina/shutterstock

Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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