Ivonete Rosa

Sente-se aqui, vamos falar sobre esse relacionamento que roubou a sua alegria.

Hei, vamos falar desse relacionamento que você vem arrastando há tanto tempo? Hum, sei que o assunto é chato, mas até quando você pretende fugir dele? Aliás, como fugir de algo que está aí te incomodando o tempo inteiro, roubando o seu sorriso e soterrando a sua autoestima? Cá prá nós, você decidiu se vai manter-se enterrado(a) vivo(a) ou se vai tentar sair dessa sepultura? Você sabe que a decisão é sua, né?

Sabe muito bem que por mais que existam pessoas preocupadas em te ajudar, somente você poderá resgatar-se desse cativeiro. Conte-me como é lidar com essa realidade, de ter uma pessoa apenas para entristecê-lo(a). Pode chorar, não se constranja, eu te acolho. Fale-me o que sente ao ver os casais que se respeitam e se tratam com afeto. Sente-se diminuído(a) e profundamente ressentido(a), não é mesmo? Talvez você se pergunte: porque ele(a) não me trata bem assim?Por que ele(a) não usa esse tom de voz afetuoso comigo?

É provável que se pergunte: por que sou tratado(a) com tanta rispidez por ele(a)? Daí você percebe que tudo aquilo que você idealizou num relacionamento amoroso está bem distante da sua realidade. Atitudes triviais como “bom dia, meu amor”,”eu te amo”, “você está lindo(a)”, “tenho muito orgulho de você”, “obrigado(a) por estar comigo”. Não existe beijo de boa noite, nem “estou com saudades”. E você percebe tudo isso, e sente falta, muita falta.

Como pode você estar passando por isso? Logo você, tão intenso(a) que chega a transbordar, vivendo recluso(a) nesse cativeiro, alimentando-se dessas migalhas miseráveis, alimento de formiga. Logo você, que sempre foi tão espontâneo(a) e sorridente, agora vive com esse olhar embaçado, completamente sem brilho. Então, você se consome nas noites de insônia, vendo os seus dias passarem e perguntando aos seus “botões”: meu Deus, eu vou ter que me conformar com essa situação? O pior de tudo é esse conflito que você vive. Você sabe do seu potencial, você sabe da bagagem que carrega na alma e tem consciência de que pode ser o sonho de consumo de alguém.

Você tem muito amor para dar, você transborda carinho, sua libido é efervescente, você é engraçado(a), é uma ótima companhia, mas está aí ao lado de alguém que além de não reconhecer nada disso, faz questão de adoecer cada virtude sua. Imagino a frustração de andar pelas ruas e perceber o quanto desperta a atenção dos(as) outros(as), enquanto sente-se invisível aos olhos do parceiro. É um desperdício muito grande, não é mesmo? Então você vai vivendo seus dias alternando tristeza e amargura, ressentimento e arrependimento, desânimo e irritabilidade.

Pode ser que você alterne também um sentimento de muita raiva por você mesmo(a) que permitiu a situação chegar nesse ponto e nada fazer para mudar, e raiva pelo(a) parceiro(a) que não te oferta o mínimo de afeto e companheirismo. Talvez aconteça de você atravessar algumas noites pensando e criando coragem para tomar uma atitude de sair dessa relação, daí amanhece o dia e você sente-se, outra vez, acovardado(a).

Hei…responda-me: que prejuízo você terá ao sair de um relacionamento que não te acrescenta nada de positivo e que ainda rouba o seu entusiasmo? Qual o seu receio? Sabe, existem pessoas que já se acostumaram com a infelicidade, elas já chutaram o balde e decidiram que vai viver essa tragédia de relacionamento e pronto, seja por preguiça ou por qualquer outra razão. Mas você não chegou nesse nível ainda, pois você se incomoda, você chora, sente angústia e revolta. Acho que ainda há salvação para você…ainda é possível você pular dessa barca furada. Você acha que tenho razão? Tomara que sim.

Imagem de capa: Jakub Zak/shutterstock

Ivonete Rosa

Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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