Encontrar um carrapato dentro de casa costuma causar aquele susto imediato: ele é pequeno, escuro, anda devagar e, muitas vezes, aparece quando ninguém esperava. O ponto principal é não tratar isso como “só um insetinho perdido”. Carrapato não é inseto; é um aracnídeo parasita, da mesma família dos ácaros, e se alimenta de sangue.
Ele pode ter entrado agarrado ao pelo de um cachorro, de um gato, em roupas, sapatos ou até depois de uma caminhada em áreas com mato, grama alta, sítios, chácaras e parques. Quando aparece dentro de casa, o ideal é agir rápido, sem pânico e sem esmagar o animal com os dedos.
O problema não é só o incômodo. Alguns carrapatos podem transmitir doenças, e no Brasil a febre maculosa é uma das preocupações mais conhecidas. A transmissão costuma estar relacionada ao contato com carrapatos infectados por bactérias do gênero Rickettsia. O Ministério da Saúde orienta que o carrapato seja retirado com cuidado, sem apertar ou esmagar, e que a área seja higienizada depois da remoção.
Isso não significa que todo carrapato esteja contaminado. Mas também não dá para olhar e ter certeza de que está tudo bem. Por isso, o melhor caminho é remover corretamente, limpar o local e observar possíveis sintomas nos dias seguintes.
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Se ele estiver andando pelo chão, parede, cama, sofá ou perto do pet, evite pegar com a mão nua. Use luvas, papel grosso ou uma pinça. Coloque o carrapato em um pote fechado, fita adesiva ou recipiente com álcool 70%, principalmente se alguém da casa ou algum animal tiver sido picado.
Depois, limpe a área onde ele foi encontrado. Aspire cantos, frestas, rodapés, tapetes, caminhas de pets e sofás. Se houver animais em casa, a atenção precisa dobrar: muitos carrapatos entram no ambiente grudados neles e depois se soltam para completar outras fases do ciclo.
Nada de passar óleo, álcool, esmalte, vaselina, fogo ou receitas caseiras para “fazer ele sair”. O CDC alerta que substâncias como vaselina, calor ou esmalte podem irritar o carrapato e aumentar o risco de ele liberar fluidos na pele.
O jeito mais seguro é usar uma pinça de ponta fina. Segure o carrapato o mais perto possível da pele e puxe com firmeza, devagar, sem torcer e sem espremer o corpo. A Fiocruz também orienta que a retirada seja feita sem apertar o carrapato, posicionando a pinça entre o corpo dele e a pele.
Depois da remoção, lave a região com água e sabão ou álcool. Também vale tirar uma foto do carrapato ou guardar o animal em recipiente fechado, porque isso pode ajudar o médico ou veterinário caso apareçam sintomas depois.
Não esmague o carrapato com as unhas. Além de ser nojento, isso pode favorecer contato com agentes infecciosos. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde também alerta contra esmagar o carrapato e contra forçar sua saída com agulha quente ou fósforo, porque o estresse pode aumentar a liberação de saliva do parasita.
Também não arranque com os dedos, não tente “sufocar” o carrapato e não ignore a presença dele achando que foi um caso isolado. Um único carrapato pode indicar que há outros no pet, no quintal ou em frestas da casa.
Procure atendimento se, depois da picada, surgirem febre, dor de cabeça forte, dor no corpo, manchas na pele, mal-estar intenso, náuseas ou piora rápida do estado geral. Também é importante avisar ao profissional de saúde que houve contato com carrapato.
Na febre maculosa, o início do tratamento precisa ser rápido quando há suspeita clínica. A Fiocruz informa que, em caso suspeito, o tratamento deve começar rapidamente, mesmo antes da confirmação laboratorial.
Cães e gatos devem ser examinados com calma, principalmente atrás das orelhas, no pescoço, entre os dedos, perto dos olhos, na barriga e na base da cauda. Se encontrar carrapatos, converse com um veterinário para escolher o antiparasitário adequado. Usar produto errado, dose errada ou medicamento de cachorro em gato pode causar intoxicação.
Também é importante lavar caminhas, mantas e panos usados pelos pets. Em casos de infestação, pode ser necessário tratar o animal e o ambiente ao mesmo tempo, porque retirar só os carrapatos visíveis costuma não resolver.
Mantenha o quintal limpo, com grama baixa e sem acúmulo de folhas. Aspire a casa com frequência, especialmente onde os pets dormem. Lave tecidos em água quente quando possível. Depois de passeios em áreas verdes, examine roupas, pernas, meias, calçados e os animais.
Em áreas com histórico de carrapatos, vale redobrar o cuidado com crianças e idosos, porque muitas vezes a picada passa despercebida. Carrapato pequeno pode parecer uma pinta, uma casquinha ou sujeira grudada na pele.
O carrapato pode sobreviver por um tempo sem se alimentar e se esconder em lugares discretos. Por isso, encontrar um em casa é menos sobre susto e mais sobre rastrear a origem: pet, quintal, roupa, passeio recente ou área infestada. A atitude certa é remover com segurança, limpar o ambiente e observar sinais no corpo e nos animais.
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