Marcel Camargo

Se você ficar esperando reconhecimento, provavelmente vai esperar para sempre

Faz bem ser reconhecido pelo que se faz. Faz bem quando agradecem por nossa ajuda, por nossa força, por nossa dedicação. A gente também precisa de elogio e de olhares de aprovação, desde a tenra infância, quando procurávamos pelo contentamento nos olhos de nossos pais. No entanto, esta jamais poderá ser nossa única preocupação, porque gratidão parece ser artigo de luxo ultimamente.

Não dá certo ficar esperando as coisas dos outros, porque o que pode vir de lá é incerto e, muitas vezes, impossível. O prazer que sentimos enquanto ajudamos, trabalhamos, compartilhamos o nosso melhor, vendo os frutos de nossa dedicação por aí, deve ser o bastante, para que não precisemos preencher nosso ego com opiniões alheias. Não é preciso haver plateia para o que fazemos de bom, pois o reconhecimento mais importante vem da gente mesmo.

Na verdade, o que impede o reconhecimento e a gratidão é o fato de muitas pessoas acharem que o que fazem por elas não é mais nada do que nossa obrigação. É comum, por exemplo, alguém que sempre ajuda um indivíduo, quando não puder ajudá-lo em algo, ser alvo de revolta por parte de quem sempre socorreu e ajudou. A ingratidão é bem mais recorrente do que a gratidão e, muitas vezes, vem de quem menos se espera.

Mesmo assim, há quem será grato, quem reconhecerá o que fazemos, o que somos, pois existe muita gente humana por aí. Em meio a esse mundo egoísta e lotado de pessoas que somente enxergam a si próprias e acham que todo mundo tem a obrigação de satisfazer as suas vontades, os seus desejos, os seus mimos, ainda existe quem consegue tirar os olhos de si mesmo. Essas pessoas é que devemos valorizar e levar no coração, pois o sorriso delas é reconhecimento autêntico.

Como se vê, devemos levar a nossa vida de acordo com aquilo em que acreditamos, fazendo e disponibilizando o nosso melhor, vivendo o que temos no coração. É assim que estaremos felizes, sejamos reconhecidos ou não, pois estaremos em paz com a nossa própria consciência. O que vier, então, de fora, será lucro. Sem expectativas, sem espera, sem demora.

***

Imagem de capa: Pexels

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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