A rotina chegou e o que era doce azedou?

O que foi que aconteceu com os momentos fofinhos de vocês dois? As mãos dadas e coladas, “onde você for eu vou atrás” e aquele chamego depois do almoço que agora cedeu lugar para a pia sem louça?

Rotina! Ela chega assim, sorrateiramente, e vai se instalando no meio da gente sem fazer alarde. Quando a gente dá por conta, a danada está lá, esparramada, de roupão e meias, deitada bem no meio da cama, tomando conta do controle da TV e da sua vida.

Não tem como fugir dela, só queria te avisar. Não, não, não! Você pode, no máximo, adiar a chegada dessa moradora, mas creia, cedo ou tarde, ela vai chegar e não existe nada, repito, NÃO EXISTE NADA que você possa fazer para evitar.

Mas, porém, entretanto, todavia, como diz o ditado, “se não pode contra ele, una-se a ele”. Sabe como? Explico!

Com o passar do tempo (e não muito tempo) a rotina se instala e o que era doce, azeda. Por “N” razões a rotina modifica a estrutura da relação e pode ser um divisor de águas entre vocês.

O trabalho, o estudo, a vida pessoal, social e tantos outros fatores tão particulares precisam continuar existindo, mesmo que tenha mais alguém com você. Só que no começo, o relacionamento é no melhor estilo Casas Bahia – “Dedicação Total a Você!”

Conforme o tempo passa, a intimidade aumenta e a segurança do sentimento também. Então, vamos cedendo espaço para a moradia da rotina em nossas vidas.

A roupa precisa ser lavada, a louça também. Alguém precisa ir ao supermercado, à padaria, trabalhar pra prover suas necessidades, vocês precisam responder e-mails, atender o telefonema da mãe, levar o cachorro pra passear, fazer almoço no domingo, ler um dos livros daquela pilha empoeirada na beira da cama.

Vocês precisam viver, tal e qual qualquer ser vivo precisa e, para isso, há de se estabelecer uma rotina comum a qualquer pessoa que viva um dia após o outro.

Passada a fase de encantamento, a rotina chega pra organizar as coisas que deixamos de lado, que protelamos em nome do amor. Por um período, nossa vida vira caos. Um caos gostoso, mas vira. Afastamos-nos um pouco dos amigos, nos desligamos do trabalho, checamos as mensagens no celular com bastante freqüência, roubando tempo de outras atividades importantes e não vemos a hora de olhar nos olhos daquele amor. Mais tarde, o amor é o mesmo, mas a vida precisa voltar para o mundo real e, no mundo real, as coisas deixam de ser docinhas e azedam muitas vezes.

Você pode, no entanto, ver as coisas por outro ângulo. Oras, se a rotina se instalou, presumo que esteja ao lado do seu amor por um tempinho razoável, vivendo um dia-a-dia de gente grande, bem longe do “Felizes Para Sempre” que a gente lia nas historinhas. Isso é bom! É um ótimo sinal!

O amor atingiu outro estágio, você passou de nível no jogo e agora está experimentando a fase madura do relacionamento. A fase onde você vai conviver com a rotina e vai olhar bem na cara dela e dizer: “Seja bem vinda! Fique a vontade, é uma vida de verdade mesmo o que eu quero ter por aqui”.

E na vida de verdade, a roupa precisa ser lavada, a louça também. Alguém precisa ir ao supermercado, à padaria, trabalhar pra prover suas necessidades, vocês precisam responder e-mails, atender o telefonema da mãe, levar o cachorro pra passear, fazer almoço no domingo, ler um dos livros daquela pilha empoeirada na beira da cama. Vocês precisam viver!

Convivam com a rotina, sem fazer dela uma vilã que destrói a relação. Façam dela uma aliada, um sinal de sorte, de que vocês engrenaram numa relação sólida que tem amor, entre outras coisas… Rotineiras!

Houve um tempo em que eu costumava dizer que a rotina é que estraga o relacionamento. Mas o tempo passa… Graças a Deus ele passa! Hoje acho super romântico um estar escovando os dentes enquanto o outro faz xixi, ou ouvir uma voz vindo de fora “deixa o chuveiro aberto que eu to entrando”. Acho lindo quando o outro espia o prato do seu par e diz “Você vai comer isso? Posso pegar?”

É apaixonante alguém te trazer remédio na cama, pra cólica menstrual e saber que você fica um porre quando está de TPM e estar ali, todos os dias, até sua crise passar. Dá uma segurança danada aquele cara mal humorado depois de um dia de trabalho cansativo, que senta em silêncio na sala com uma cerveja na mão e mais tarde vem conversar com você porque sabe que você vai estar ali, “na alegria e na tristeza”, porque a rotina não os separa.

É gostoso ter um amor seguro, que vai estar ali, mesmo que precise dividir o palco com a rotina.

A rotina não estraga nada. O que ela faz é mostrar uma vida real que para os esperam momentos eternamente fofinhos e doces, não serve. Sobrevive a ela, na minha opinião, o amor que era sempre doce e em ver por outra azedou e tudo bem, segue o baile.

Porque seguro mesmo é estar com alguém que fica, apesar da rotina.

Imagem de capa: gpointstudio/shutterstock

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Luciana Marques
Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.