crítica social

Resgatada em condições análogas à escravidão diz que ‘não manda na própria vida’

Uma mulher de 63 anos foi resgatada em condições análogas à escravidão no Rio de Janeiro, mais específicamente no Bairro da Abolição, zona norte. Em depoimento à Força-tarefa de Combate ao Trabalho Escravo, ela relatou sua rotina de muitas privações nos mais de 40 anos que trabalhou sem receber salários e sem nunca ter tirado férias.

A empregada contou que, depois de trabalhar por cerca de 11 horas por dia, com pouco tempo para as refeições, dormia em um quartinho nos fundos da casa que não tinha energia elétrica e nem sequer um relógio. Ela contou que calculava a passagem de tempo conforme o dia ia escurecendo.

As informações foram registradas em um depoimento dado pela mulhe após o resgate, ocorrido na última segunda-feira (25), na 1ª Procuradoria-geral do Trabalho.

Segundo informações divulgadas pelo G1, quando os auditores fiscais do trabalho viram a vítima pela primeira vez, ela estava suja depois de voltar do ferro velho, onde fora vender as latinhas que catava para conseguir alguma remuneração.

De acordo com os auditores e promotores do Ministério Público do Trabalho, às 11h, a mulher ainda não tinha se alimentado e estava muito agitada, confusa e com problemas de audição.

Vizinhos questionados pelos auditores do trabalho relataram ainda agressões físicas e verbais contra a vítima por parte dos patrões, inclusive uma tentativa de enforcamento. Questionada, a própria empregada negou.

Ela revelou em depoimento que às vezes recebia R$ 6 ou R$ 7 de sua empregadora, e que usava em alguns momentos o dinheiro para comprar sabonete para tomar banho. O vínculo empregatício da vítima nunca foi registrado na sua carteira de trabalho.

Ela contou ainda que nunca teve contato com sua família de origem, em São Paulo. Agora, ela é atendida pelo programa de assistência social do Caritas em parceria com o Ministério Público do Trabalho.

Sua empregadora tem uma semana para pagar a sua rescisão salarial, assim como os vencimentos referentes aos anos de trabalho. Os valores são de mais de R$ 100 mil.

Segundo agentes federais, os patrões até sacaram o Auxílio Emergencial da mulher. Ela relatou que entregou seus documentos para que tivesse o benefício sacado. No entanto, ouviu da patroa que não teria direito ao dinheiro porque sua carteira de identidade estaria “velha”.

No entanto, auditores fiscais do Trabalho identificaram que o benefício foi sacado. Em depoimento, a empregadora confirmou que realizou o primeiro saque. As outras parcelas foram recebidas por outras pessoas. Um procedimento foi aberto no banco para averiguar o caso.

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Redação Conti Outra, com informações de G1.
Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal.

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