Imagem de capa: FCSCAFEINE/shutterstock

Uma saudade vale o preço do amor. A gente pisca os olhos e começa a correr em quintais que não existem mais, estranhando como o mundo era grande, apesar de pequeno, precisando de pouca gente pra ser povoado. Deita no berço, chora, faz hora com o relógio, busca a criança que ficou lá, brinca no quintal, tendo como destino o banho, a comida na mesa, o cobertor colorido no berço, o primeiro dia na escola, o susto de ver como as ruas de nossas casas eram insuficientes para tantas descobertas.

Uma saudade pode valer os abraços no medo do escuro, o sopro que curava o machucado, o bolo de aniversário, as histórias contadas antes de dormir. Pode valer o primeiro futebol, a primeira briga de rua, a bolinha de gude, a pipa construída por quatro mãos e o vento que favorecia olhos voltados para o colorido no céu.

A saudade pode vir fantasiada de primeiras juras de amor, planos futuros, beijos, tinta na parede, escolha dos móveis, pequenas e grandes viagens, abraços na dor, brigas, lágrimas e novos abraços, sorrisos e a vida repleta de encantamentos.

Uma saudade pode vir na barriga crescendo, nos sapatinhos, fraldas, mamadeiras e um amor que ultrapassa as nuvens. Nossas mãos passearão pelo banho, cabelos penteados, tarefas escolares, chamadas na escola, acampamentos no colchão, filmes e pipoca.

Uma saudade terá cheiro, nome e rosto, será tocada nas viagens da alma pelas ruas da memória. Amanhecerá de olhos inchados, pedindo mais, anoitecerá de mãos cheias, devolvendo gratidão, se esconderá dos lugares vazios, pois sua única exigência será sinalizações que apontem para a existência do amor. Seus cômodos comportarão pai, mãe, filhos, avós, amigos, comportará nossa história e a descoberto de chegadas e partidas, do amor acompanhado da dor, um não existirá sem o outro.

Teresa Gouvea

Psicóloga Clínica Especialista em Família pela PUC SP, especialista em Luto pelo 4 Estações Instituto de Psicologia SP.

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