Muitas doenças mentais não diagnosticadas ou não tratadas não se manifestam apenas como sofrimento temporário. Um episódio — por exemplo uma forte crise de ansiedade, um surto psicótico, uma depressão grave — pode ser o início de um processo que, sem intervenção, se perpetua. Com o tempo, esse mal-estar psicológico deixa de ser um “episódio” e torna-se um estado crônico, com impacto em múltiplas áreas: emocional, física, social, profissional.
É importante sublinhar que a saúde mental não está isolada da biologia. Pesquisas mostram que situações de estresse intenso e prolongado, crises repetidas ou surtos podem levar a alterações cerebrais estruturais — incluindo atrofia ou perda de neurônios, redução da neurogênese (o nascimento de novos neurônios), e disfunção dos mecanismos de proteção e crescimento neural.
Por exemplo, um estudo reconhece que estresse depressão são caracterizados por modificações estruturais resultantes de atrofia e perda de neurônios e glia em regiões límbicas específicas”. @WalshMedical+3PubMed+3PMC+3 Outro levantamento, centrado no “neuroimmune” aspecto, afirma que o stress crônico leva a ativação de microglia (células de defesa do sistema nervoso), afetando neurônios e plasticidade sináptica. PubMed+1 Mais ainda, em modelos animais, o stress crônico induziu “autophagic death” (morte por autofagia) de células-tronco neurais no hipocampo — implicando que não só neurônios maduros, mas também a capacidade de formar novos neurônios, pode ser prejudicada. Neuroscience News
Quando mencionamos “morte de neurônios” ou “perda neuronal”, trata-se de processos que podem ocorrer de modo indireto ou gradual:
Atrofia dendrítica (os ramos do neurônio perdem volume ou complexidade). @WalshMedical+1
Redução do número de neurônios (ex: estudo com pessoas que sofreram adversidade precoce encontrou menos neurônios ou evidência disso em certas regiões do córtex) OUP Academic
Diminuição da neurogênese — ou seja, da produção de novos neurônios em zonas específicas do cérebro (hipocampo) – o que compromete renovação e plasticidade cerebral. nimh.nih.gov+1
Ativação de processos celulares deletérios (ex: apoptose, autofagia) em neurônios ou células progenitoras sob condições de estresse. PMC+1
Esses mecanismos não significam que todo neurônio “explode” durante um surto, mas que existe um efeito cumulativo que vai degradando a rede neural e as reservas de adaptação do cérebro. Com o tempo, essa carga deixa a pessoa menos resiliente, mais vulnerável a recaídas, menos capaz de recuperação espontânea.
Quando uma doença mental (seja um transtorno de humor, ansiedade grave, psiquiatricamente incapacitado ou surtos psicóticos) não é tratada, os prejuízos se estendem além da mente:
Saúde física: o stress contínuo gera desequilíbrios hormonais, maior ativação do eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal), inflamação crônica, piora do sono, dores, doenças associadas.
Vida emocional e relacional: a pessoa pode sentir-se cada vez mais desconectada, com retraimento, culpa, baixa autoestima. O funcionamento social e familiar se deteriora.
Profissional e econômico: a queda de desempenho, faltas, dificuldades de concentração, impulsos ou letargia podem levar à perda de emprego ou instabilidade laboral.
Realização pessoal: aquilo que dá sentido — projetos, hobbies, lazer — vai sendo ignorado ou abandonado, a vida fica centrada em “sobreviver” em vez de “viver”.
Autoimagem e bem-estar: sentir-se bem na própria pele, ter autoestima, gostar de quem se é… tudo isso fica seriamente ameaçado. A pessoa pode acabar se “desconhecendo”, sentindo-se refém de seus sintomas.
Um surto — por exemplo um episódio psicótico, uma crise de saúde mental grave — pode representar um ponto de virada: além do sofrimento imediato, ele pode desencadear processos neurobiológicos de dano, aumentar o risco de que a doença se torne persistente ou recorrente. Ou seja: não é apenas a interrupção funcional que importa, mas o impacto que esse evento deixa no cérebro e na pessoa como organismo.
Se não houver intervenção, estratégias de autocuidado, suporte, tratamento adequado, a trajetória pode se tornar de “crises” para “estado crônico”.
Reconhecer o risco e agir é essencial. Aqui estão alguns princípios para caminhar nessa direção:
Buscar suporte profissional (psicologia, psiquiatria) mesmo se os sintomas parecerem “leves” — o acompanhamento precoce diminui o dano.
Desenvolver autocuidado: sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física regular, limitação de substâncias (álcool, drogas, cafeína excessiva), práticas de relaxamento/atenção plena.
Cultivar uma vida com significado: dedicar-se a algo que traga prazer, conexão, criatividade. Isso fortalece o cérebro, a autoestima e a motivação.
Trabalhar a aceitação de si mesmo: sentir-se bem na própria pele implica olhar para si com compaixão, reconhecer que adoecer não é fraqueza, e que buscar apoio é ato de coragem.
Construir e manter redes de apoio: relacionamentos saudáveis, amigos, familiares, grupos de suporte ajudam a dar sentido e estabilidade.
Monitorar e ajustar o rumo: quando estiver se sentindo “no automático”, cansado demais, apagado — isso pode ser sinal de que algo está se aprofundando e merece atenção.
Uma doença mental não tratada não é algo que “simplesmente vai embora”. Ela pode se tornar crônica, deixar marcas no cérebro, afetar profundamente todos os aspectos da vida: saúde física, emocional, relacional, profissional, existencial. Saber disso não é para alarmar sem razão, mas para empoderar: ao entender que há impacto real, você pode optar por “não deixar para depois”.
Sentir-se bem na própria pele, lidar com a vida da melhor maneira possível, reivindicar sua saúde mental como parte essencial da vida — isso é um direito, e também parte da construção de uma trajetória mais saudável e plena.
Artigo com curadoria da Psicóloga Josie Conti
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