Marcel Camargo

Por mais que você faça, nunca terá feito o bastante para algumas pessoas

Viver sempre será uma jornada cheia de surpresas, algumas boas, outras nem um pouco. Dentre tantas coisas imprevisíveis e inesperadas que teremos pela frente, lidar com a ingratidão será uma constante em nossa caminhada. Seremos, muitas vezes, reconhecidos pelo bem que fizermos e pelas ajudas que oferecermos, porém, também colheremos muita ingratidão de pessoas que se esquecerão de tudo o que já tivermos feito por elas.

Talvez seja apenas um senso comum, mas parece que, quanto mais fácil as coisas chegam às pessoas, menos elas se tornam capazes de agradecer e de reconhecer o quanto são felizes. Infelizmente, muitas pessoas se acostumam a ter seus desejos atendidos, a ver os outros agindo em seu favor e, quando isso não acontece, acabam se desesperando. Habituam-se a serem atendidas, a receberem ajuda prontamente, sem esperar. Recusam-se a ouvir “não”, pois não aprenderam a lidar com isso.

Mal sabem o quanto a gratidão é benéfica, o quanto agradecer ilumina, renova, cura e salva, tornando-nos melhores e mais esperançosos. A ingratidão, por seu turno, equivale a uma ausência de fé, de sonhos, de esperanças, porque quem só espera do outro é incapaz de se amar, de perceber o quanto é capaz de evoluir e de conquistar o que se quer por seus próprios méritos. É como se a pessoa não se reconhecesse merecedora de nada, capaz de nada, sempre necessitando que alguém faça a parte dela.

É necessário ter a consciência de uma coisa que ninguém poderá fazer por nós: a nossa parte. Sempre que uma pessoa estiver deixando de cumprir com o que lhe cabe, estará sobrecarregando alguém que, além das próprias atribulações, ainda terá que cobrir a falta do outro. A vida funciona assim como em uma equipe: cada um é encarregado de certos afazeres que, se negligenciados, serão feitos por outra pessoa, que acumulará o que não é seu.

Como se vê, uma das melhores atitudes que poderemos tomar será não esperarmos gratidão por tudo o que fizermos. Embora nos faça bem ter nossas ações reconhecidas, ajudar é o que realmente importa, uma vez que nos sentimos muito mais gente enquanto oferecemos o nosso melhor às pessoas. Sempre estaremos felizes ao ajudar nossos semelhantes, sejamos ou não reconhecidos, afinal, o que importa é se sentir bem consigo mesmo – o que vier lá de fora é lucro.

Imagem de capa: Robert Kneschke/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Pouco antes de morrer de câncer, ele ainda mantinha um hábito que já preocupava amigos havia anos

Patrick Swayze ficou marcado no cinema pela condição física exibida em filmes como Dirty Dancing,…

1 dia ago

DESAFIO: Você pode olhar várias vezes para esta imagem e ainda deixar alguns dos 7 gatos passarem

A ilustração parece mostrar apenas um jardim cheio de detalhes: uma árvore carregada de folhas,…

1 dia ago

Uma desconhecida apareceu no cemitério com um envelope e mudou o que ela sabia sobre a filha

Durante dez anos, Elizabeth criou o neto sem saber explicar uma das perguntas que ele…

1 dia ago

Desafio visual: O guarda-chuva não está onde você provavelmente procuraria nesta livraria cheia de detalhes

A ilustração de uma antiga livraria parece comum nos primeiros segundos. Livros ocupam quase todos…

1 dia ago

Mary Ann Bevan aceitou ser exibida em público, e o motivo tinha relação direta com seus quatro filhos

Durante boa parte do fim do século XIX e do início do século XX, pessoas…

4 dias ago

Algumas das fotos mais interessantes de Diana não são as mais famosas e contam outra parte da história

Poucas figuras públicas foram fotografadas com tanta frequência quanto a princesa Diana, né? Durante os…

4 dias ago