Pessoas úmidas: fuja delas!

Algumas pessoas são pesadas como uma esponja cheia de água. São incapazes de torcer e escorrer seus medos, receios e recalques para o ralo.

Fuja delas! A água suja que acumulam nos olhos é capaz de borrar o vestido branco da sua alegria sem que você perceba.

Você pode ofertar uma bandeja de doces coloridos, suspiros, jujubas, beijinhos, sorrisos, piadas, historinhas perfumadas, entusiasmo e elogios: nada altera o jeito turvo com que olham a vida; o tom monocórdico de suas vozes não se altera, a nuvem cinza que habita suas sobrancelhas continua anunciando tempestade mesmo quando a oferta de amizade é azul.

São pessoas tão habituadas à rejeição que não conseguem ofertar outra coisa aos outros a não ser mais rejeição (e/ou olhos de crítica).

Acham que toda alegria é gratuita. Que todo entusiasmo é burro. Talvez nunca tenham lido Mario Quintana, Cora Coralina Vinicius de Moraes.

Pessoas úmidas sentem-se ameaçadas por pessoas que secam suas mágoas ao sol diariamente e transitam levemente junto ao vento.

Geralmente confundem sarcasmo com maldade. Falam mal dos outros para se sentirem superiores – como se isso fosse sanar suas próprias faltas de dores.

E sentem inveja, muita inveja de quem consegue algo que elas não alcançam, jamais tiveram ou terão. Colocam-se, sempre, como vítimas de qualquer circunstância ou situação.

Só conseguem admirar mitos! São incapazes de admirar João, Maria, Filomena, Sicrana e Beltrana – admirar quem está ao alcance das mãos é sentença de morte, certeza de que o vizinho é melhor.

São as mesmas que acham que qualquer pessoa diferente delas é estúpida, boçal e ridícula. São hipócritas. Defendem a causa gay, são contra o racismo e a guerra, mas são incapazes de aceitar um estranho em seus ninhos mofados.

São aquelas que só conseguem enxergar o que perderam (o que falta) e não o que ganharam, o que transborda. Vivem insatisfeitas com alguma coisa, ou, com tudo. Vivem reclamando, falando de problemas, espalhando notícias ruins.

Estão sempre com cara de quem chupou limão, dormiu mal, colocou sal demais na comida ou perdeu o ticket de ida para um lugar chamado “vida”.

Fuja dessas pessoas! Pois elas são capazes de sugar seu prazer de viver com um simples olhar de canto, um balançar de cabeça ou um sorriso amarelado.

Pessoas úmidas, pesadas, são como vampiros: não suportam a luz.

Creia: você não precisa delas.

Mônica Montone

Mônica Montone é formada em Psicologia pela PUC-RJ e escritora. Autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo.

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