Marcel Camargo

As pessoas que dizem que estou sumido nunca me procuram

Muitas vezes, não é a falta de tempo que impede as pessoas de procurarem umas às outras e sim as prioridades que elas colocam à frente das amizades. Desse modo é que os encontros sinceros vão sendo relegados a segundo, terceiro, últimos planos.

É muito difícil sabermos com exatidão o quanto estamos fazendo falta na vida de alguém. Os dias andam por demais corridos e nos sobra pouco tempo para procurarmos pelas pessoas que não vemos há tempos, uma vez que, quando saímos do trabalho, ainda temos um monte de responsabilidades com que lidar. Termos essa consciência também nos ajuda a enfrentar o distanciamento de pessoas que não nos procuram.

Amizades verdadeiras resistem ao tempo e à distância, pois o carinho fica sempre ali dentro de nós. Todos nós temos amigos que, quando encontramos, mesmo depois de anos, parece que foi ontem. Laços verdadeiros não se desfazem por qualquer coisa, no entanto, muitas vezes, dói a ausência demorada de quem nos é especial. Gente querida faz muita falta, porque são artigos raros, artigos de luxo.

Mesmo assim, as pessoas acabam se acomodando e priorizando outras coisas que não as amizades. Muitas vezes, não é a falta de tempo que impede as pessoas de procurarem umas às outras e sim as prioridades que elas colocam à frente das amizades. Há quem valorize relacionamentos que ofereçam mais popularidade, ou que possam trazer alguma vantagem material. E, assim, os encontros sinceros vão sendo relegados a segundo, terceiro, últimos planos.

O pior é que, às vezes, quando encontramos, por acaso, alguém que não víamos há tempos, a não ser nas fotos pelas redes sociais junto a novas amizades, ainda temos que ouvi-lo dizendo, com exclamação, que estamos sumidos. Sim, lógico, simplesmente porque é ele que não nos chama nunca para acompanhá-lo nos passeios que faz. As pessoas raramente admitem que suas prioridades sejam outras. Todo mundo tem o direito de andar com quem quiser, o que irrita é se fazer de desentendido.

Teremos que aprender a lidar com o fato de que nem todo mundo de quem gostamos sentirá o mesmo por nós, ou seja, não seremos correspondidos todas as vezes, nem na amizade, nem no amor. Da mesma forma, os interesses pessoais são mais fortes, para algumas pessoas, do que os sentimentos alheios. Mas tudo bem, mantenhamos, nós, o apreço e a convivência com quem de fato merece o nosso melhor. O resto, deixemos pra lá, bem longe, onde deve mesmo ficar. Sigamos!

Imagem de capa: Roman Samborskyi/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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