Imagem de capa: Andrii Medvednikov/shutterstock
Há quem afirme que “para esquecer um grande amor é necessário encontrar outro” e isso é tão errado quanto cruel. Começar uma história com resquícios de sentimentos e traumas anteriores é, além de constrangedor um desgaste desnecessário.
Ficar falando e ouvindo do ex, ser comparado o tempo todo e ter o nome trocado é uma falta de respeito sem tamanho. Entenda: se o relacionamento continua presente dentro de você, ainda não é o momento de começar uma nova história.
Cada um de nós tem um tempo para a cura. Alguns superam mais rápido, outros precisam de um tempo maior, que envolve sessões de terapia, conselhos de amigos e grupos religiosos, tamanho o trauma envolvido na relação. E, tudo bem! Não é o caminho escolhido que importa, é o objetivo em comum que nos move: a cura.
É difícil esquecer quando ainda há sentimento. É difícil partir quando se quer ficar. É difícil esquecer quando se quer amar e perdoar quando se foi traído, mas, acredite, é possível. Se você lembrar o quanto era feliz antes desse amor, o quanto tem valores que deixou adormecido e o quanto tem sofrido sem necessidade, você é capaz de esquecer. Miguel Unamuno, romancista espanhol, escreveu que “é preciso esquecer para viver; a vida é esquecimento; cumpre abrir espaço para o que está por vir”.
Quando começamos uma relação queremos que ela dê certo (lógico), mas, esquecemos que, para que isso aconteça, o primeiro passo é não gerar expectativas. Não está nas mãos do outro a sua cura, está nas suas. Não será o outro que fará você esquecer seus traumas, será a sua mente e seu poder de autocontrole que farão isso. Não será o outro que te fará feliz, isso é um estado de espírito individual, não um presente que você ganha ao assinar um contrato de casamento. Aprenda: não se mede amor e respeito pelos olhos dos outros.
O que dói no processo de esquecimento não é saber que a presença do outro não será mais rotina, são os planos que foram destruídos, as expectativas que foram frustradas, o medo em não ser mais feliz. São essas as coisas que doem. A verdade é que nosso coração está preparado para amar, mas não para sentir saudade.
Dor traz amadurecimento emocional e consequentemente relacionamentos maduros e duradouros. Amadurecimento emocional não vem embalado para presente com uma fita dourada, pelo contrário, é adquirido depois de muito sofrimento e de muitos foras. Aceitar que esses momentos são naturais e que passar por ele é um privilégio, é sabedoria.
Então, desacelere e meça seus sentimentos. Nunca fique em uma relação por desejo alheio, a vida é sua, portanto, a opção de continuar ou não também é. Enfrente sua solidão, permita-se sofrer, curtir o luto do término e aprenda a se amar novamente. Depois, somente, depois, esteja disposto a amar.
“Aprenda a lidar com a solidão. Aprenda a conhecer a solidão. Acostume-se a ela, pela primeira vez na sua vida. Bem-vinda à experiência humana. Mas nunca mais use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um modo de satisfazer seus próprios anseios não realizados”. (Do livro Comer Rezar e Amar de Elizabeth Gilbert)
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