Pequeno dicionário de neologismos para sentimentos sem nome.

Quem nunca sentiu que faltam palavras para expressar um sentimento?

Quem nunca sentiu o peito cheio de vontades e emoções e não encontrouum verbo para nomear tudo aquilo?

 

Quem nunca se expressou amparando-se no silêncio, na linguagem dos olhos, das as mãos, nas entonações da respiração?

 

Quem nunca falou um texto todo dando voltas em frases e períodospara tentar descrever uma sensação, um sentimento que uma ou poucas palavras não davam conta de traduzir?

 

A linguagem humana, apesar de tão rica, às vezes é limitada para expressar, nomear ou definir.

 

A poesia e outras expressões artísticas tocam nesses espaços sem nome, nesses sentimentos sem verbete de dicionário, encontram e rompem conceitos cristalizados fazendo emergir significados ocultos por trás da dureza e da linearidade das palavras cotidianas. Acredito que por isso a poesia surpreende, desperta, instiga.

 

Nessa falta de nomes ideais para expressar sentimentos, sensações e experiências, alguns escritores criam neologismos que são expressões novas formadas no interior da língua. Palavras justapostas, aglutinadas, estrangeirismos, arcaísmos, onomatopeias entram na constituição desses vocábulos. Os professores de gramática e literatura sabem explicar tudo isso muito melhor que eu.

Mas, me amparando na liberdade poética, e pela vontade de nomear sentimentos que ainda não têm nomes (ou pelo menos eu desconheço), quis me aventurar na criação de alguns neologismo que definem o que já vi e senti.

Assim, compartilho aqui com vocês alguns verbetes do meu pequeno dicionário de neologismos para sentimentos sem nome. 

É no mínimo divertido!

Ao final, me digam se vocês também já tentaram expressar esses sentimentos. E, quem sabe, sugiram novos vocábulos ou sentimentos que ainda não têm nome.

Segue o dicionário:

 

Alucilúcido – sobriedade que surge num momento de loucura.

 

Besteirohoólic – pessoa viciada em falar besteira.

 

Dejamar – reencontrar alguém que não se conhecia.

 

Desbramimvar– descobrir um lado em si mesmo desconhecido.

 

Desexistir– desistir de existir em uma sentimento ou sensação.

 

Desprendicto–aquele que é apegado em ser desapegado.

 

Embatuamar–aquele sentimento mal cozido, emplastado que saiu errado e não caiu bem.

 

Estraninho– sentimento de estranheza em seu próprio ninho.

 

Familigeiro – pessoa que se sente familiar em um ambiente estrangeiro.

 

Felicinada – asensação de tristeza ou de vazio num momento de alegria.

 

Imagitalgia – aquela sensação de saudade de algo que nunca aconteceu, que apenas se imaginou.

 

Interceptamor – quando se interrompe um amorbem no auge do sentimento.

 

Ordinusitado – o inusitado que surge de ações ou sensações cotidianas.

 

Pathossídio– quando se assassina uma paixão dentro de si.

 

Polisolidão – é sentir a amplitude de ser num momento de solidão.

 

Risadoterapia – lavar a alma de tanto rir.

 

Sentimefação – quando sentimentos apodrecem de tão maduros.

 

Silenciser– necessidade de ficar em silêncio e apenas ser.

 

Subjetivometro – quando o olhar e o coração dão os pesos e as medidas a uma coisa ou pessoa.

 

Visionagem– A linguagem dos olhos

 

 

Estas foram algumas amostras desse meu pequeno dicionário. Espero que tenham se empatigostado! 😉

 

 

 

 

 

Clara Baccarin

Clara Baccarin escreve poemas, prosas, letras de música, pensamentos e listas de supermercado. Apaixonada por arte, viagens e natureza, já morou em 3 países, hoje mora num pedaço de mato. Já foi professora, baby-sitter, garçonete, secretária, empresária... Hoje não desgruda mais das letras que são sua sina desde quando se conhece por gente. Formada em Letras, com mestrado em Estudos Literários, tem três livros publicados: o romance ‘Castelos Tropicais’, a coletânea de poemas ‘Instruções para Lavar a Alma’, e o livro de crônicas ‘Vibração e Descompasso’. Além disso, 13 de seus poemas foram musicados e estão no CD – ‘Lavar a Alma’.

Recent Posts

Higiene no equipamento desportivo: como lavar e eliminar odores dos sacos e mochilas de padel

Um saco de padel utilizado com regularidade acumula suor, humidade e resíduos de equipamento húmido…

13 horas ago

Esta resiliente atriz marcou os anos 2000, sumiu dos holofotes após tragédia pessoal e hoje quase ninguém reconhece

Nos anos 2000, ela se tornou conhecida do público britânico, principalmente por causa de sua…

1 dia ago

O ano era 1980, e essa música não saía do rádio… Marcou uma geração! Será que você ainda reconhece?

A batida começa e a memória entrega tudo… Essa música virou febre em 1980. Será…

1 dia ago

Há quase 50 anos esta música estourou nas rádios mas hoje quase ninguém lembra. Você reconhece?

Um hino que soa como uma porta de entrada para os anos 80: acelerada, sensual…

1 dia ago

Todos olham para a família, mas é a empregada ao fundo que guarda a grande história

Na foto de 1961, ela ficou atrás de todos — mas sua vida não ficou…

1 dia ago

Meu pai casou com minha tia 8 dias após a morte da mãe, mas o que descobri no altar deles mudou tudo…

No casamento do meu pai com minha tia, o filho dela me puxou de lado…

1 dia ago