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Parem de tentar entender as Mulheres

Loucas, destemperadas, instáveis, indecifráveis, as mulheres nunca estiveram tão doidas, meu deus. Querem. No segundo seguinte já não nos querem mais. Já não querem nem mesmo a si mesmas, uma orgia de quereres, de vontades que não se concluem, de medos que não se assentam.

As mulheres, minha gente, nunca na história deste país foram tão deliciosamente desmioladas. De tanto praticar, alcançaram a perícia esgrimista de coabitar em emoções. Já nem separam mais o instante de chorar do seguinte de rir. Choram e riem, ao mesmo tempo.

Se aproveitam da boa relação diplomática entre os polos de seus super cérebros e choram e riem e mudam de canal, num só movimento. Elas podem te adorar em pensamento e te mandar uma praga por entre os dentes, elas podem se sentir extremamente solitárias, carentes e hilárias, não de você, mas de queijo, de doce, de estrada. Vai entender.

Deram pra gritar nas calçadas, nos portões, deram pra exigir de volta seus chips, como quem pega de volta a dedicação, o tesão, os ouvidos e os beijos sem ar que nos deram. Acabou a farra da entrega. As mulheres de hoje não se dão, se emprestam e depois tomam-se de volta.

Não morrem mais de amor, não arranham as paredes. Fazer as unhas nunca custou tão caro. As mulheres que gritam enquanto caladas, que se doem enquanto gozam, que se culpam enquanto se orgulham, essas mulheres jamais pediram para serem compreendidas, essas doidas varridas, não estão tentando se simplificarem, estão se esforçando pra ficarem ainda mais, só um tantinho mais, doidas. Certas elas, quando resolvido todo mistério deixa de fazer sentido.

Parem de tentar entender as mulheres. Melhor que entender é compreendê-las entre seus braços. Pare de tentar resumi-las, pare de tentar encontra-las e vá com tudo se perder na loucura delas.

Diego Engenho Novo

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Diego Engenho Novo

Escritor, publicitário e filho da dona Betânia. Criador do blog Palavra Crônica, vive em São Paulo de onde escreve sobre relacionamentos e cotidiano.

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