Imagem de capa: mavo/shutterstock

Quantas vezes ficamos angustiados e aflitos sem nem sabermos direito pelo quê?! “Por tudo, ora!”: cobranças das mais variadas ordens chovem por cima de nós todos os dias.

O namorado/marido quer atenção. Os filhos nos exigem tempo e dedicação. O trabalho, constante aperfeiçoamento e o melhor desempenho possível. A sociedade, então, quer tantas coisas para nós, que não dá nem para enumerar, mas passa por estudar (o máximo possível), trabalhar (e ganhar muito bem), ter uma família e, acima de tudo, SER FELIZ! Te vira, então!

O problema nem é tudo isso, não. O problema é o que nós fizemos com todas essas cobranças. O problema é o que nós estamos nos cobramos. O problema é o que levamos a sério dessa loucura toda.

Tudo bem querer crescer, evoluir, ser uma pessoa melhor em vários aspectos. Super certo querer encontrar e desenvolver sua missão, o que lhe realize, o que faz o seu coração vibrar. Mas para conseguir tudo isso, não podemos estar pirados! Para concretizar o mais importante, temos que estar bem. E ficar bem, nesse contexto, passa por dar uma “freiadinha” vez ou outra. Dar um passo para trás. Olhar a situação de fora.

Viver criando expectativas para o futuro só gera “pré-ocupação” em vão. Passar nossos dias cogitando hipóteses do que pode vir a acontecer “se” isso ou “se” aquilo, é um gasto de energia completamente desnecessário. Gastar nosso precioso tempo concentrados em tudo o que não se tem, no que poderia ter sido feito diferente e/ou em tudo o que deveria ser mudado, nos impede de fazermos o mais importante: vivermos o PRESENTE.

Quando vemos, então, não sabemos nem como estamos vivendo efetivamente, pois a nossa mente está muito ocupada com o passado ou com o futuro, com as cobranças dos outros, ou com as nossas próprias cobranças. Tudo num mundo imaginário onde nada acontece efetivamente. É preciso dar um basta à nossa mente irrequieta. É preciso parar. É preciso deixar a vida acontecer, simplesmente.

Observar a vida fluindo… Curtir cada momento do dia, estando concentrado apenas e tão somente nele, por mais singelo e insignificante que pareça. Tal como comer sentindo o sabor da comida, por mais óbvio que isso pareça, mas, muitas vezes, não acontece. Ou escutar uma música sentindo a sua melodia.

Talvez precisamos, efetivamente, redescobrir o mundo. Fazer de conta que nascemos agora e estamos nos deslumbrando com toda essa realidade…

Deixar acontecer. Observar. Ir no ritmo da vida que se apresenta, dançar a sua música. Respirar. Se entregar.

Viver, de fato…

Susiane Canal

“Servidora Pública da área jurídica, porém estudante das questões da alma. Inquieta e sonhadora por natureza, acha a zona de conforto nada confortável. Ao perder-se nas palavras, busca encontrar um sentido para sua existência...”

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Susiane Canal

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