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Para ser feminista não é preciso ser mulher. É preciso ser gente.

Sim, eu sou um homem feminista. Fui criado por cinco mulheres: minha mãe, minha avó, minha bisavó e duas tias. Quando eu era criança, morávamos todos na mesma casa. Vivíamos a mesma vida. Sonhávamos os mesmos sonhos. Foi de perto delas que eu saí para andar neste mundo. É nelas que eu penso nas horas de tomar decisão. De saudade delas eu choro vez em quando. É para o lado delas que eu retorno sempre.

Elas me ensinaram a comer de garfo, enxugar atrás da orelha, rezar baixinho o Pai Nosso e a Ave Maria, amarrar o cadarço dos tênis sem ajuda, não mexer no que é dos outros, cuidar de cachorro, pedir “por favor”, ver as horas em relógio de ponteiro, tomar ônibus sozinho, ir embora na hora certa, dar a mão quando puder e bater o pé quando precisar. Foram elas. Cinco mulheres que me educaram de seu jeito. Logo, eu sou um homem feminista.

Juntas, elas me superprotegeram e superamaram. Eu fui um menino bem acostumado por cinco mulheres. E veja você que coisa: nem por isso me tornei um adulto mimado, inseguro, despreparado, imaturo, dependente, perdido na vida. Não na minha opinião.

Estou longe de ser alguém satisfeito, tenho todos os defeitos do mundo. Mas pago sozinho as minhas contas e aprendi com elas que isso não é mais que a minha obrigação. Honro o aluguel em dia, não atraso a mensalidade da escola do meu filho e suas outras despesas, trabalho duro em dois empregos, tenho amigos que têm o meu respeito, não me faltam macarrão instantâneo e vergonha na cara. Graças a Deus e graças a elas.

Por tudo isso, acredito radical e fanaticamente na igualdade entre homens e mulheres. Eu sou um homem feminista. E acho que todo mundo devia ser. Porque gente de bom coração não pode ser contra um mundo de absoluta igualdade entre homens e mulheres. Não pode fazer vista grossa em relação à violência contra a mulher, à discriminação em casa, nas empresas, nas ruas. É preciso tomar partido. E o meu já está tomado faz tempo. Desde a infância. Estou com elas e não abro. Eu sou um homem feminista.

Enquanto não nos tornarmos capazes de viver em franco estado de humanismo, sem mulheres ou homens agredidos, discriminados e massacrados em seus direitos essenciais, é o feminismo que há de nos representar. Esse jeito de estar na vida que nada tem a ver com radicalismos estéticos, greve de sexo, sutiãs abolidos e outros exageros. Tem a ver com humanidade, decência, liberdade, justiça, inteligência e igualdade.

Para ser feminista não é preciso ser fêmea. Não é preciso ser mulher. É preciso ser gente. Eu, que sou homem, pai de outro homem, não tenho a menor dúvida de quem foram e são as pessoas mais importantes da minha vida. Quase todas são mulheres. E o que for problema delas é o MEU problema. O que as faz sorrir me faz feliz também. O que as movimenta me põe para frente. Se elas se aborrecem, eu também fico triste. Porque elas vivem, eu aprendi a me agarrar na vida. Sim, eu sou um homem feminista. E acho que todo mundo deve ser.

André J. Gomes

Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.

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