Ana Macarini

Os homens também são capazes de falar sobre o que sentem, apenas preferem não o fazer.

Nós, as mulheres temos a maior fama de sermos complicadas, temperamentais e difíceis demais de entender. Há quem diga que somos tão inconstantes quanto as fases da lua. Há quem afirme que somos uma espécie de bruxas travestidas de fadas – às vezes o contrário disso.

E pode até ser que haja uma mínima parcela de verdade acerca da nossa comentada complexidade. Pode ser mesmo que a nossa alma multifacetada, que a nossa incrível capacidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo, que a nossa estranha habilidade de prever fatias de futuro, a partir de nossa tão famosa intuição feminina, gere algum desconforto em nossos parceiros do sex0 masculino.

E não custa nada admitir também que por mais independente que a gente seja, gestos sinceramente gentis ainda nos fazem felizes, delicadezas são sempre bem-vindas, e até mesmo na hora do sex0 mais selvagem, acreditamos que uma pitadinha de ternura acrescente um sabor muitíssimo interessante. E isso também costuma gerar alguma confusão na cabeça dos “meninos”.

Agora… querer que a gente entenda essa mania masculina de conversar consigo mesmo em silêncio, depois que a gente fez aquela perguntinha capciosa ou simplesmente soltou os cachorros… Ahhhhh, tenha a santa paciência!
Eles juram de pé junto que não é por maldade… que a cabeça deles funciona de um outro jeito, que eles preferem refletir um pouco, em vez de falar “coisas precipitadas”, ou que isso é simplesmente implicância nossa e que a gente bem que poderia experimentar tagarelar menos só para variar.

O fato é que deixar uma mulher refém de suas próprias interpretações é como jogar pólvora num incêndio florestal. A coisa vai alastrar de um jeito que nem brigada área vai dar jeito de apagar.

O outro fato é que a gente tem muita ideia e ainda muito mais imaginação. Diante do silêncio obstinado da criatura masculina, a criatura feminina é capaz de criar um roteiro completo digno de seriado da HBO com cinquenta temporadas, com vinte episódios em cada uma.

Que o cara esteja a fim de ficar em silêncio de vez em quando, a gente pode até tentar entender, posto que a maioria de nós gosta de explicitar o que pensa, sente ou imagina e fica muito satisfeita quando encontra alguém a fim de partilhar tudo isso. A questão fica complicada é quando esse silêncio vira um hábito que a gente tem que aceitar e pronto.

Dizem os estudiosos do comportamento que os homens também são capazes de falar sobre o que sentem, apenas preferem não o fazer. Dizem os homens que muitas vezes preferem calar-se porque não são capazes de adivinhar o que queremos escutar e sempre acabam sendo mal interpretados.

A incrível verdade é que anda faltando empatia para ambas as partes. Homens e mulheres parecem estar soterrados sob quilos de poeira egocêntrica, atolados por um mundo extremamente competitivo e hostil. Desarmemo-nos, então! Sejamos todos capazes de ver nos silêncios e ruídos uns dos outros a nossa forma imperfeita de amar. Quem sabe, então não possamos parar de nos lamentar por tantos desencontros e desamores.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “De repente é amor”.

Ana Macarini

"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"

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